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Marinho diz que juros podem cair até 12% com Flávio Bolsonaro

Marinho diz que juros podem cair até 12% com Flávio Bolsonaro

Para o senador, a redução dependeria de o novo governo apresentar, desde o início, uma agenda de equilíbrio fiscal e controle dos gastos

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira que uma eventual vitória do senador poderia levar a taxa básica de juros para a faixa de 12% a 13% ao ano. Segundo Marinho, a queda ocorreria a partir de uma mudança na condução fiscal do governo e de uma política de maior responsabilidade com as contas públicas.

“Se o Flávio ganhar, o juro vai a 12% ou 13%”, afirmou Marinho durante o Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual (BPAC11). Para o senador, a redução dependeria de o novo governo apresentar, desde o início, uma agenda de equilíbrio fiscal e controle dos gastos.

Marinho defendeu a criação de uma nova regra fiscal, com participação dos três Poderes, além de medidas como a profissionalização das empresas públicas, o equilíbrio do Orçamento e a securitização da dívida pública. Ele afirmou que, mesmo que o ajuste fiscal necessário fosse realizado de forma gradual, uma redução de um ponto percentual na taxa de juros representaria cerca de R$ 80 bilhões adicionais em recursos para a economia.

O senador classificou como “irresponsável” a expansão fiscal promovida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que o país chegou a um nível de juros muito superior ao projetado pelo mercado. Segundo ele, o relatório Focus chegou a apontar uma Selic de 7,75% ao ano para o período, mas a taxa atingiu 15%.

Para Marinho, a chamada PEC da Transição, aprovada no fim de 2022, foi “o ovo da serpente” da atual situação fiscal. Ele afirmou que a medida abriu espaço para mais de R$ 160 bilhões em gastos e que o governo acumulou sucessivos episódios de descumprimento das regras fiscais. Na avaliação do senador, o atual cenário inclui uma expansão fiscal recorrente, dívida elevada e uma despesa anual com juros próxima de R$ 1 trilhão.

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“O governo fala no seu projeto que o que vai mover é o investimento público, que está colapsado do ponto de vista fiscal”, disse. Para Marinho, o governo federal não teria compreendido a dimensão do problema criado pela deterioração das contas públicas.

O senador também criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que classificou como um “cemitério de obras inacabadas”. “Estamos assistindo ao mesmo filme, com os mesmos personagens”, afirmou. Na sua avaliação, a principal medida de ajuste fiscal seria a mudança de governo. “O maior ajuste fiscal é tirar o PT do poder”, disse.

Promessa de ajuste

Marinho afirmou que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro trabalharia com uma meta de redução de cerca de dois pontos percentuais nos juros e com uma reorganização das contas públicas. Segundo ele, o grupo político já discute medidas para reduzir o déficit nominal, que estimou em cerca de R$ 2 trilhões.

O senador também mencionou como objetivo a retirada de aproximadamente R$ 60 bilhões em despesas por meio de uma nova regra fiscal envolvendo os três Poderes. Ele comparou os resultados fiscais de diferentes governos e disse que houve superávit de R$ 18 bilhões durante a gestão Jair Bolsonaro (PL), enquanto o governo Lula acumularia déficit de R$ 34 bilhões.

Na avaliação de Marinho, o Brasil precisa romper com um modelo de expansão fiscal que, segundo ele, acaba pressionando a inflação e, consequentemente, os juros. Ele afirmou ainda que a independência do Banco Central foi fundamental para evitar uma deterioração ainda maior do cenário econômico.

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Críticas ao governo Lula

O senador aproveitou a participação no evento para atacar a política econômica e a atuação do governo Lula. Também criticou declarações recentes do presidente sobre segurança pública e disse que houve um “sincericídio” ao tratar traficantes como vítimas da sociedade.

Marinho afirmou que a população estaria percebendo os efeitos da política econômica principalmente por meio da alimentação. No Nordeste, região em que reconheceu uma vantagem de Lula, disse que a situação eleitoral do presidente é menos confortável do que em 2022.

Segundo o senador, Lula ainda vence na região, mas por uma diferença menor. Para Marinho, a população estaria sentindo no cotidiano a perda de poder de compra e comparando a situação atual com promessas feitas pelo presidente durante a campanha de 2022.

“Você olha a cesta básica, com menos dinheiro leva menos alimento para casa e se sente enganado todos os meses”, afirmou.

Sudeste será prioridade

Marinho disse que a campanha de Flávio Bolsonaro pretende concentrar esforços no Sudeste, que reúne mais de 40% do eleitorado brasileiro. Segundo ele, a avaliação interna é de que a região também apresenta um cenário um pouco pior para Lula do que o registrado em 2022.

O coordenador da campanha afirmou que o grupo trabalha para consolidar palanques em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A estratégia, segundo ele, é explorar as diferenças econômicas entre as regiões e mostrar como a política do governo federal estaria afetando a população.

PL aposta em alianças estaduais

Marinho também minimizou a falta de apoio formal de parte dos partidos do chamado Centrão à candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, a campanha tentou ampliar o número de legendas aliadas inicialmente para aumentar o tempo de televisão, mas avalia que a diferença em relação a Lula não será tão grande.

“A nossa diferença para o Lula é de um minuto”, afirmou.

O senador disse que Flávio já conta com 22 apoios em diferentes Estados e destacou que o PL é, segundo ele, o maior partido do país. Na avaliação de Marinho, mesmo políticos ligados a partidos que não apoiam oficialmente a candidatura estarão ao lado de Flávio nos Estados, mas alguns não poderão declarar apoio publicamente por pressão de seus líderes nacionais.