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C&A mira 15% das vendas pelo digital até 2030

C&A mira 15% das vendas pelo digital até 2030

Empresa apresentou o Full Power, plano estratégico para 2027 a 2030, com foco em produtividade de lojas, expansão e capacidades digitais

A C&A (CEAB3) realizou nesta quarta-feira (26) seu Investor Day. O evento apresentou o Full Power, plano estratégico para o período de 2027 a 2030. O plano sucede o ciclo Energia, iniciado em 2024. Para a XP Investimentos, a companhia sai do ciclo anterior mais capacitada para investir e crescer.

“Em suma, saímos construtivos em relação à tese de longo prazo, embora permaneçamos cautelosos no curto prazo diante de um cenário macroeconômico mais difícil e de uma concorrência mais acirrada”, escreveram Pedro Cavarina e Laryssa Sumer, analistas da XP Investimentos.

O Full Power se concentra em intensificar a produtividade das lojas e retomar a expansão. A companhia também quer escalar as capacidades digitais, de dados e de crédito já desenvolvidas. O plano prevê entre 60 e 80 novas lojas, principalmente em cidades novas e menores.

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O aumento do capex vem equilibrado por alavancagem controlada e distribuição do caixa remanescente aos acionistas. A administração reconheceu abertamente uma concorrência mais acirrada e um ambiente macroeconômico mais complexo. Apostas esportivas e concorrentes internacionais entraram na lista de ventos contrários.

Ciclo Energia deixou empresa mais capacitada para crescer

O ciclo Energia entregou crescimento de cerca de 30% nas vendas de vestuário. A margem bruta do varejo teve expansão acumulada de cerca de 5 pontos percentuais. A companhia também migrou para uma posição de caixa líquido.

“Em nossa visão, a principal mensagem esteve menos relacionada aos números e mais às capacidades deixadas pelo ciclo, que agora sustentam uma companhia com maior capacidade de investir e executar”, escreveram Cavarina e Sumer.

A C&A planeja abrir entre 60 e 80 lojas até 2030. Cerca de 80% delas ficariam em novos mercados, em cidades com até 500 mil habitantes. Nesses locais, os custos de ocupação são menores e as margens das lojas são mais altas. O formato ACE deve se expandir em ondas, começando com até 10 lojas antes de uma possível expansão nacional.

A XP visitou a nova loja-conceito na Avenida Paulista, em São Paulo, que abre nesta quinta-feira (27). O espaço materializa as iniciativas do ciclo Energia, com estoque mais enxuto e maior personalização. A companhia também planeja de 100 a 120 reformas no padrão Energia até 2029.

Digital sai do piloto, e capex ganha disciplina

O aplicativo e o site foram relançados, com página inicial personalizada e um assistente de compras com inteligência artificial. A conversão de vendas aumentou cinco vezes. A meta da administração é chegar a cerca de 15% das vendas pelo digital até 2030, ante 7% atualmente.

“O C&A Pay tem espaço para aumentar a penetração, atualmente em cerca de 28% das vendas, e permanece como a porta de entrada da unidade financeira, com empréstimos pessoais e um cartão de marca própria a serem adicionados sob uma abordagem cautelosa de risco e retorno”, escreveram os analistas.

A alocação de capital migra de juros e amortização de dívida para investimentos e retorno aos acionistas. O capex esperado fica entre 7% e 8% das receitas, financiado principalmente pelo fluxo de caixa operacional. A alavancagem deve seguir abaixo de 0,5 vez. O caixa excedente deve ser distribuído aos acionistas em níveis potencialmente mais elevados.

“A companhia trabalha com uma taxa interna de retorno mínima exigida de 18% para os novos investimentos, o que reforça a disciplina de capital por trás do plano”, concluíram Cavarina e Sumer.