Home
Notícias
Ações
Marcopolo tem resultado em linha no 2º TRI, mas cautela da empresa preocupa

Marcopolo tem resultado em linha no 2º TRI, mas cautela da empresa preocupa

A deterioração das margens e a perspectiva de desaceleração da produção devem levar os investidores a revisarem as expectativas

A Marcopolo (POMO4) apresentou resultados do segundo trimestre do ano em linha com as expectativas do mercado, mas o tom mais conservador adotado pela administração para o segundo semestre levou o Bradesco BBI a avaliar o balanço de forma negativa. Para o banco, a deterioração das margens e a perspectiva de desaceleração da produção devem levar os investidores a revisarem as expectativas para os próximos trimestres.

A receita líquida da Marcopolo cresceu 3% na comparação anual, revertendo a queda de 1,3% registrada no primeiro trimestre e ficando 3% acima da estimativa do Bradesco BBI. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo mercado brasileiro, onde a receita avançou 11,3%, beneficiada pelas entregas de veículos para o Ministério da Saúde e pela fase 12 do programa Caminho da Escola.

No mercado internacional, porém, o cenário foi mais fraco. A receita fora do Brasil, incluindo exportações, recuou 8,1% em relação ao mesmo período do ano passado, resultado inferior ao esperado pelos analistas.

O EBITDA recorrente, desconsiderando os efeitos extraordinários da reestruturação da subsidiária Metalsur, caiu 12,4% na comparação anual, em linha com as projeções. A margem EBITDA recorrente ficou em 14,7%, uma retração de 2,6 pontos percentuais em um ano e ligeiramente abaixo da expectativa do Bradesco BBI.

O lucro líquido da companhia somou R$ 272 milhões, queda de 14,7% na comparação anual. Segundo o banco, o resultado ficou apenas 2% abaixo da projeção e foi impactado integralmente pelos efeitos não recorrentes relacionados à Metalsur.

Publicidade
Publicidade

Rentabilidade: ponto de atenção

Na avaliação do Bradesco BBI, o principal ponto de atenção foi a qualidade da rentabilidade. A margem bruta caiu para 21,9%, o menor nível dos últimos três anos, pressionada por um mix de vendas mais concentrado em micro-ônibus, aumento dos custos de insumos em contratos públicos fechados a preços fixos e pela valorização do real, que reduziu a rentabilidade das exportações.

Os analistas destacam que parte dessa pressão parece estar ligada à menor rentabilidade do programa Caminho da Saúde, embora considerem que a intensidade da queda nas margens ainda mereça acompanhamento.

Outro ponto observado foi a geração de caixa. A companhia registrou fluxo de caixa livre negativo em R$ 116 milhões no trimestre, reflexo principalmente do aumento das contas a receber. O Bradesco BBI acredita que esse efeito tende a se normalizar com a conclusão das entregas do programa Caminho da Saúde.

Os investimentos (capex) totalizaram R$ 69 milhões, alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025, mas abaixo da expectativa dos analistas. Já a alavancagem permaneceu controlada, com dívida líquida equivalente a 0,3 vez o EBITDA, ante 0,2 vez no trimestre anterior, desconsiderando o Banco Moneo.

Para o segundo semestre, o Bradesco BBI vê um cenário mais desafiador. Segundo o banco, o crescimento recente foi sustentado principalmente por programas públicos, enquanto os segmentos de ônibus rodoviários e urbanos continuam enfrentando juros elevados, crédito restrito, aumento do preço do diesel e menor disposição das empresas para renovar suas frotas.

Além disso, a Marcopolo ainda aguarda a homologação da fase 13 do programa Caminho da Escola, na qual está habilitada para fornecer cerca de 7,2 mil ônibus. No entanto, os atrasos nesse processo, somados à ausência de novos pedidos do Ministério da Saúde, devem reduzir o ritmo de produção no terceiro trimestre, com uma recuperação mais provável apenas nos últimos meses de 2026.

Leia também: