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XP vê reação neutra para ISA Energia após resultados abaixo do esperado no 2T26

XP vê reação neutra para ISA Energia após resultados abaixo do esperado no 2T26

Corretora avalia que pressões no trimestre foram pontuais, mas mantém cautela diante da falta de catalisadores de curto prazo

A ISA Energia (ISAE4) apresentou resultados operacionais abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026, mas a equipe de research da XP Investimentos avalia que o impacto sobre as ações deve ser limitado. Segundo a corretora, os principais fatores que pressionaram o desempenho da companhia têm caráter pontual, o que sustenta a expectativa de uma reação neutra do mercado.

O EBITDA da companhia somou R$ 967 milhões entre abril e junho, ficando 8% abaixo da estimativa da XP. De acordo com os analistas, o desvio foi explicado por receitas ligeiramente inferiores ao esperado e por despesas operacionais acima das projeções.

“As despesas pressionaram o resultado principalmente por conta de baixas contábeis e custos relacionados à substituição e desmobilização de ativos, fatores que consideramos predominantemente não recorrentes”, afirma a XP no relatório.

Além do desempenho operacional, o lucro líquido também ficou abaixo das estimativas da casa. A companhia registrou R$ 174 milhões no trimestre, impactada por maiores despesas de depreciação decorrentes das unitizações de reforços e por um resultado financeiro líquido mais pressionado, reflexo das variações monetárias sobre a dívida indexada ao IPCA.

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Despesas elevadas e disputa com a SEFAZ seguem no radar

As despesas de PMSO totalizaram R$ 271 milhões, acima dos R$ 228 milhões projetados pela XP. Parte da diferença foi atribuída a despesas relacionadas à desmobilização de ativos, consideradas pontuais pela instituição. Ainda assim, o relatório destaca que os gastos com serviços de terceiros também vieram acima do esperado e podem representar uma pressão mais recorrente sobre os custos da companhia.

No total, as chamadas outras despesas alcançaram R$ 92 milhões, cerca de R$ 40 milhões acima da estimativa da corretora.

Mesmo diante dos resultados mais fracos, a XP manteve recomendação neutra para os papéis da companhia. Para a corretora, o principal catalisador para a ação continua sendo uma solução para a disputa tributária com a SEFAZ, embora a expectativa seja de que uma definição só ocorra em 2027, na melhor das hipóteses.

“O valuation continua atrativo, mas a ausência de catalisadores de curto prazo nos mantém cautelosos em relação à tese”, destacam os analistas.

A XP lembra que, quando retomou a cobertura da empresa em outubro de 2025, esperava avanços relevantes nas negociações com a autoridade fiscal, que poderiam representar um importante destravador de valor para a companhia. Como esse movimento ainda não se concretizou, a corretora mantém uma postura mais cautelosa sobre o ativo.

Após a conclusão de um follow-on de R$ 1,2 bilhão, destinado a manter a alavancagem próxima de 4,0 vezes dívida líquida sobre EBITDA, a ISA Energia negocia, segundo a XP, a um valuation equivalente a uma taxa interna de retorno real de aproximadamente 9%.

Por outro lado, a empresa possui a menor duration entre as transmissoras acompanhadas pela instituição, entre cinco e seis anos, tornando a ação mais sensível às mudanças no cenário de juros e às oscilações do mercado.