A Pague Menos (PGMN3) apresentou resultados considerados fracos no segundo trimestre, mas com desempenho operacional ligeiramente superior às expectativas do Bradesco BBI. Apesar da desaceleração do crescimento das vendas e da queda do lucro líquido, o banco manteve recomendação de compra para as ações, citando o valuation atrativo da companhia.
O principal destaque positivo do trimestre foi o desempenho operacional. O EBITDA ficou 2% acima das estimativas do Bradesco BBI, enquanto o EBT (lucro antes dos impostos) superou as projeções em 10%. Já o lucro líquido veio 9% abaixo do esperado, reflexo de um volume menor de subvenções fiscais. Segundo os analistas, esse impacto deve diminuir com a entrada em operação do novo centro de distribuição da varejista.
A receita líquida da Pague Menos cresceu 9% na comparação anual, em linha com as expectativas, mas representando uma desaceleração de cinco pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
De acordo com o Bradesco BBI, a principal razão para a perda de ritmo foi a categoria de medicamentos GLP-1, utilizada no tratamento de diabetes e obesidade. O crescimento das vendas desses produtos desacelerou para cerca de 63% na comparação anual, após avançar aproximadamente 167% no primeiro trimestre. Como consequência, a participação da categoria nas vendas caiu de 9% para 8,2% entre os trimestres, gerando um impacto negativo de três pontos percentuais sobre o crescimento consolidado da receita.
Melhor desempenho da divisão de Higiene Pessoal e Cosméticos
Parte desse efeito foi compensada pelo melhor desempenho da divisão de Higiene Pessoal e Cosméticos (HPC). As vendas da categoria cresceram 10% em relação ao mesmo período do ano passado, acelerando dois pontos percentuais, impulsionadas pela campanha de aniversário promovida pela companhia.
A margem EBITDA atingiu 6,5%, alta de 0,3 ponto percentual na comparação anual e resultado 0,2 ponto acima da projeção do Bradesco BBI. Segundo os analistas, o desempenho foi favorecido por uma margem bruta superior ao esperado e pelo controle das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), apesar do impacto negativo provocado por um reajuste de preços da Cimed abaixo do esperado.
Outro destaque do trimestre foi a geração de caixa. O fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) ficou positivo em R$ 17 milhões, desempenho significativamente melhor do que a expectativa do Bradesco BBI, que previa uma queima de caixa de R$ 39 milhões. O banco atribui o resultado a um ciclo de caixa R$ 52 milhões mais eficiente do que o projetado.
Mesmo classificando os resultados como fracos, o Bradesco BBI manteve sua recomendação de compra para as ações da Pague Menos. Segundo o banco, a avaliação é sustentada pelo valuation considerado descontado, com os papéis negociados a um múltiplo de aproximadamente cinco vezes o lucro projetado para 2027.
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