O BTG Pactual leu o 2º trimestre da Bradsaúde (SAUD3) como um resultado misto, mas suficiente para manter a recomendação de compra. O lucro líquido de R$ 1,1 bilhão, alta de 25%, veio em linha com o que o banco e o consenso projetavam.
“Um resultado de menor qualidade”, apontou Samuel Alves, analista do BTG Pactual, ao observar que a piora da sinistralidade foi em boa parte neutralizada por um resultado financeiro mais forte.
Os prêmios ganhos subiram 11%, para R$ 13,8 bilhões, cerca de 1% abaixo da estimativa da casa. Os sinistros retidos avançaram 14% e levaram a sinistralidade consolidada a 83,8% — alta de 170 pontos-base em um ano, 470 pontos-base na comparação trimestral e 170 pontos-base acima do projetado pelo banco.
Onde o trimestre agradou
Do outro lado da conta, o resultado financeiro somou R$ 930 milhões, avanço de 28%, e as demais despesas operacionais recuaram 18%. A margem líquida ganhou 90 pontos-base, chegando a 8,1%, e o retorno sobre o patrimônio médio em doze meses subiu de 21,7% para 25,8%.
Na Bradesco Saúde, a base alcançou 4,1 milhões de vidas, com 99 mil adições líquidas — bem acima das 60 mil previstas pelo BTG. O lucro da seguradora cresceu 37%, para R$ 923 milhões, respondendo por 83% do consolidado. A ressalva do banco fica na composição: enquanto a receita financeira subiu 27%, o resultado de seguros antes dela caiu 5%.
O ativo que muda a tese
A Atlântica Hospitais lucrou R$ 64 milhões, contra R$ 15 milhões um ano antes e a mesma cifra que o BTG esperava. Os leitos operacionais chegaram a 2.199, com 482 a mais em doze meses, e a fatia da unidade no resultado consolidado saltou de 2% para 6%.
“Mais evidências de que o portfólio hospitalar está se tornando um vetor de lucro mais relevante”, escreveu Maria Resende.
A Odontoprev seguiu o caminho oposto. Com 9,5 milhões de beneficiários e receita líquida de R$ 635 milhões, alta de 5%, viu o lucro cair 21%, para R$ 115 milhões, pressionado pela sinistralidade dental de 37,5%. O dental ficou em torno de 10% do resultado consolidado.
“Permanece um vetor secundário da tese de investimento”, observou Samuel Alves sobre o segmento odontológico.
O ponto que o banco mais valorizou, contudo, foi a transparência. Com o histórico aberto desde o 1º trimestre de 2025, o lucro dos últimos doze meses aparece em R$ 4,2 bilhões, o mesmo patamar do consenso para 2026 — número que o BTG considera alcançável e possivelmente conservador, dada a expectativa de melhora no segundo semestre.
“Há espaço para uma reprecificação à medida que o segmento hospitalar ganhe participação nos lucros”, projetou Maria Resende.






