A Marcopolo (POMO4) apresentou um desempenho abaixo das expectativas no 2TRI26, segundo análise divulgada pelo BTG Pactual. Embora o mercado já esperasse um trimestre mais fraco, os números vieram ainda inferiores ao consenso, principalmente por conta da pior composição de vendas e da desaceleração das exportações.
Na avaliação do banco, o resultado aumenta o risco de revisões nas projeções de lucro para 2026 e torna mais desafiadora a recuperação das margens ao longo do segundo semestre.
O relatório destaca que, diferentemente do observado no segundo trimestre do ano anterior, quando houve uma recuperação impulsionada por exportações mais fortes e um mix de produtos mais favorável, o 2TRI26 foi marcado por uma maior participação de micro-ônibus e menor volume de veículos rodoviários, produtos que normalmente possuem maior rentabilidade. Esse cenário pressionou a margem operacional da companhia e surpreendeu negativamente até mesmo as expectativas já reduzidas do mercado.
Margens decepcionam, apesar de receita em linha
A receita líquida da Marcopolo alcançou R$ 2,4 bilhões no 2TRI26, alta de 3% na comparação anual e praticamente em linha com as estimativas do BTG. No entanto, o desempenho operacional ficou aquém do esperado. O EBITDA reportado somou R$ 339 milhões, queda de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Desconsiderando um efeito não recorrente de aproximadamente R$ 10 milhões relacionado à reestruturação da subsidiária Metalsur, o EBITDA ajustado ficou em R$ 349 milhões, ainda cerca de 6% abaixo da projeção do banco.
A margem EBITDA ajustada atingiu aproximadamente 15%, representando recuo de 2,6 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025 e ficando um ponto percentual abaixo da expectativa dos analistas. Já o lucro líquido totalizou R$ 271 milhões, retração de 16% na comparação anual, mas acima da estimativa do BTG devido, principalmente, ao impacto positivo da variação cambial e de uma alíquota efetiva de impostos menor que a prevista.
Mercado doméstico sustenta receita, enquanto exportações enfraquecem
De acordo com a análise, o mercado brasileiro foi o principal suporte para os resultados da Marcopolo no 2TRI26. As vendas domésticas cresceram 11% em relação ao mesmo período de 2025 e passaram a representar cerca de 62% da receita consolidada da companhia.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento de micro-ônibus, que registrou crescimento superior a 100% na comparação anual.
Em contrapartida, os segmentos de ônibus rodoviários e urbanos apresentaram retrações de 24% e 23%, respectivamente. No mercado internacional, a receita caiu 8%, refletindo menores entregas para países como México, Argentina e África do Sul. A única exceção relevante foi a operação na Austrália, que apresentou desempenho mais favorável durante o trimestre. Ainda assim, a participação de mercado da empresa no Brasil avançou para 48%, acima dos 44% registrados no trimestre anterior.
Perspectivas seguem desafiadoras para o restante de 2026
O BTG avalia que a segunda metade de 2026 deverá apresentar alguma recuperação em volumes e margens, acompanhando a sazonalidade tradicional do setor. No entanto, o banco acredita que esse avanço será menos intenso do que o registrado no ano passado.
Entre os fatores que limitam uma recuperação mais forte estão os juros elevados, que continuam pressionando a demanda por ônibus rodoviários, além do aumento dos preços do diesel, que reduz o ritmo de renovação das frotas urbanas.
Outro ponto de atenção está nas exportações, que enfrentam comparações mais difíceis em mercados importantes e ainda sofrem com impactos cambiais. Apesar disso, a administração da companhia mantém expectativa de melhora gradual em alguns mercados internacionais e enxerga potencial para retomada da demanda por veículos rodoviários ao longo do segundo semestre, impulsionada por um mix de produtos de maior valor agregado.
O BTG também destaca que o novo programa Caminho da Escola pode beneficiar os resultados a partir de 2027, após a conclusão dos processos de homologação das licitações.
BTG mantém recomendação neutra para as ações
Mesmo diante de um 2TRI26 considerado fraco, o BTG Pactual manteve recomendação neutra para as ações da Marcopolo, com preço-alvo de R$ 10 para os próximos 12 meses. Na visão dos analistas, o valuation da companhia continua atrativo, negociando ao redor de cinco vezes o lucro projetado para 2026, além de oferecer uma perspectiva de dividend yield próxima de 10%, fatores que ajudam a limitar o risco de queda das ações.
Ainda assim, o banco acredita que o desempenho operacional apresentado no 2TRI26 deverá levar parte do mercado a revisar para baixo as estimativas de lucro para este ano. A recuperação das margens para os níveis esperados anteriormente parece mais difícil diante do cenário atual, reforçando a necessidade de acompanhar de perto a evolução do mix de produtos, das exportações e da demanda doméstica nos próximos trimestres.






