Os preços dos jatos executivos da Embraer (EMBR3) subiram 32% de forma acumulada entre 2019 e 2026. O avanço equivale a um crescimento anual composto de 4%, segundo o BTG Pactual. O banco vê o movimento como um dos principais motores de rentabilidade da divisão de aviação executiva.
“A divisão de aviação executiva da Embraer viu uma forte tendência de reprecificação desde a pandemia”, escreveram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, analistas do BTG Pactual, em relatório divulgado nesta quarta-feira (19).
O relatório também compara a Embraer com fabricantes rivais. O documento mapeia ainda as forças de oferta e demanda que devem moldar os preços até o fim da década.
A pandemia atingiu a divisão com força no início. As entregas caíram de 109 aeronaves em 2019 para 86 em 2020, em meio à cautela dos compradores.
Aviação executiva se torna beneficiária da pandemia
A partir de 2021, porém, a aviação executiva se tornou uma das beneficiárias estruturais da pandemia. Pessoas de alta renda migraram da aviação comercial por motivos de saúde, conveniência e privacidade. Operadoras de fretamento e propriedade compartilhada, como NetJets e Flexjet, expandiram suas frotas de forma agressiva. O público-alvo passou a incluir muitos passageiros que voavam de forma privada pela primeira vez.
O índice book-to-bill da divisão mede pedidos novos sobre entregas. Ele saltou de 1,0 vez em 2019 para 3,1 vezes nos doze meses até o 2º trimestre de 2026. Como consequência direta, a carteira de pedidos de aviação executiva da Embraer quase triplicou. O total passou de cerca de US$ 2,9 bilhões, no fim de 2021, para US$ 7,8 bilhões no 2º trimestre.
Carteira longa dá à Embraer poder de repasse de preços
A carteira de pedidos da Embraer para aviação executiva se estende por quatro a cinco anos. O prazo é incomum para o segmento de jatos executivos, historicamente mais curto.
“Uma carteira que se estende por quatro a cinco anos é historicamente incomum para jatos executivos, e isso fortalece de forma relevante a capacidade da Embraer de elevar preços sem perder pedidos”, escreveram Marquiori, Recchia e Alkmim.
Esse poder de precificação ajuda a explicar a melhora da margem Ebit da aviação executiva. O indicador passou de 11,5% para 13,9% nos doze meses até o 2º trimestre de 2026. Textron, Bombardier e Gulfstream viram o preço médio de venda subir. O valor foi de cerca de US$ 40 milhões, em 2021, para US$ 53 milhões no primeiro semestre de 2026.
“A alta generalizada nos preços dos concorrentes reforça que esse vento favorável é do setor como um todo, e não uma característica isolada da Embraer”, apontaram os analistas.
BTG vê ciclo estrutural, não apenas efeito da pandemia
Para o BTG, três fatores se somam: carteira de pedidos longa, book-to-bill elevado e capacidade restrita da indústria. Juntos, eles fortaleceram o poder de precificação dos fabricantes.
“Acreditamos que essa tendência aponta para um ciclo estrutural de reprecificação na aviação executiva, e não para um pico temporário do pós-pandemia”, escreveram Marquiori, Recchia e Alkmim.
A demanda segue saudável, e aeronaves de nova geração sustentam preços mais altos. O BTG vê espaço para novos aumentos, ainda que em ritmo mais normalizado à medida que a oferta se ajusta. Segundo o banco, o próprio mercado, incluindo o BTG, ainda não precificou de forma completa essa tendência. Isso deixa espaço para revisões de lucro para cima nas estimativas de aviação executiva.
“Essa é uma das principais razões para nossa visão positiva sobre a Embraer, nossa escolha preferida na cobertura de bens de capital”, concluíram os analistas.
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