O C6 Bank reduziu a expectativa de crescimento da carteira de empréstimos em 2026. A projeção caiu de cerca de R$ 30 bilhões para cerca de R$ 20 bilhões, segundo o BTG Pactual revela em um relatório enviado a clientes nesta quarta-feira (19). Os números fazem parte do resultado do primeiro semestre de 2026 do banco digital.
“A revisão reflete a menor originação de consignado do INSS no mercado e a decisão do C6 de adotar uma abordagem mais conservadora para o crédito corporativo, dado o atual nível de juros reais”, escreveram os analistas do BTG Pactual.
Apesar do crescimento mais lento, a administração diz que a geração interna de capital é suficiente para a expansão. As distribuições a acionistas devem se aproximar de R$ 1 bilhão em 2026.
Provisões disparam e pressionam o lucro
O lucro líquido do primeiro semestre somou R$ 1,257 bilhão, alta de 20% em doze meses. Na comparação com o segundo semestre de 2025, houve queda de 11%. O ROAE, retorno sobre o patrimônio médio anualizado, ficou em 38%. Um ano antes, o indicador estava em 43%, e no semestre anterior, em 51%.
“O crescimento forte de receita e o ganho adicional de alavancagem operacional foram amplamente compensados por um forte aumento nas provisões”, escreveram os analistas do BTG Pactual.
O lucro antes dos impostos avançou apenas 1% em doze meses, para R$ 1,286 bilhão. A alíquota efetiva de imposto caiu para 2,2%, ante 17,5% um ano antes. A queda explica a maior parte do crescimento do lucro líquido. A receita líquida cresceu 48% em doze meses, para R$ 6,268 bilhões.
Consignado privado puxa a inadimplência para cima
A inadimplência acima de 90 dias, medida pelo índice NPL, subiu para 3,6% da carteira. O avanço foi de 40 pontos-base em doze meses e de 70 pontos-base ante dezembro de 2025. Sem o efeito da Resolução 4.966, do Banco Central, o indicador ficaria em 2,6%. As provisões para perdas com crédito saltaram 138% em doze meses, para R$ 2,372 bilhões. A alta veio principalmente da expansão do consignado privado.
“A maior inadimplência reflete tanto problemas operacionais e tecnológicos quanto uma deterioração genuína da capacidade de pagamento dos tomadores”, disse Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank, em entrevista ao jornal Valor.
O consignado privado responde por 45% da carteira de crédito do C6. Kalim também comentou o problema das empresas que não repassam corretamente os descontos em folha aos credores. A falha eleva o risco do consignado privado.
“As empresas que não cumprem as regras de desconto em folha deveriam sofrer punições mais rígidas”, defendeu o executivo.
Carteira expandida supera R$ 99 bilhões
A carteira de crédito expandida do C6 somou R$ 99,8 bilhões, alta de 38% em doze meses. Ante dezembro de 2025, o crescimento foi de 12%. Os empréstimos com garantia representaram 82% do total, ante 80% um ano antes. O funding total alcançou R$ 125,6 bilhões, com o índice de empréstimos sobre depósitos em 79%.
Os ativos totais do C6 chegaram a R$ 170 bilhões. O patamar levou o Banco Central a classificar a instituição como um banco S2, categoria para instituições de grande porte. O índice de Basileia recuou para 12,6%, ante 13,7% em junho de 2025 e 13,1% em dezembro.






