A Localiza&Co (RENT3) registrou lucro líquido de R$ 1,125 bilhão no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 29,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, considerando a base ajustada de 2025. A receita líquida consolidada somou R$ 12,278 bilhões, crescimento de 14,4%, segundo o balanço divulgado pela empresa.
O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, atingiu R$ 4,029 bilhões, aumento de 13,7% sobre o terceiro trimestre de 2025 ajustado. Já o lucro operacional (EBIT) chegou a R$ 2,516 bilhões, com expansão de 11,3%.
Na comparação com o ano anterior, a Localiza desconsiderou efeitos extraordinários relacionados à redução do IPI Verde, que impactaram os resultados de 2025. No caso do lucro líquido, o ajuste também considera a baixa de prejuízo fiscal da Locamerica.
Aluguel de carros registra alta de 16,5% na receita
A operação de aluguel de carros encerrou o trimestre com receita líquida de R$ 3,025 bilhões, crescimento de 16,5% em relação ao 3T25.
O número de diárias aumentou 10,6%, enquanto o preço médio cobrado por diária passou para R$ 157,90, alta de 5,2%. A taxa de utilização da frota ficou em 82,4%, ante 80,8% no mesmo trimestre do ano passado.
De acordo com a Localiza, o aluguel para pessoas físicas foi favorecido pela disponibilidade de veículos durante as férias escolares e os feriados. No segmento corporativo, a demanda associada ao período eleitoral contribuiu para o aumento do volume e dos preços.
O EBITDA da divisão totalizou R$ 2,031 bilhões, com margem de 67,1%, ante 67,7% no 3T25 ajustado.
A idade média da frota operacional também diminuiu, passando de 10,7 meses para 7,8 meses em um ano. A renovação dos veículos faz parte da política da empresa para reduzir gastos com manutenção e preparação dos automóveis.
Gestão de frotas tem receita de R$ 2,4 bilhões
Na área de gestão de frotas, a receita líquida alcançou R$ 2,428 bilhões, aumento de 6,8% na comparação anual.
Os segmentos de carros leves e assinatura apresentaram crescimento próximo de 10%, enquanto a receita dos contratos de uso severo diminuiu.
A diária média ficou em R$ 110,60, alta de 6,3%, e a utilização dos veículos atingiu 96,9%.
O EBITDA foi de R$ 1,911 bilhão, crescimento de 14,6% em relação ao resultado ajustado de 2025. A margem passou de 73,4% para 78,7%.
Entre os fatores apontados pela Localiza para a variação estão a atualização dos preços dos contratos, a redução dos custos de manutenção, o menor volume de provisões para devedores duvidosos e o aumento dos créditos fiscais.
Seminovos vende quase 88 mil veículos, mas margem recua
A Localiza vendeu 87.850 veículos seminovos no Brasil entre julho e setembro, volume 16,4% superior ao registrado no terceiro trimestre de 2025.
A receita líquida consolidada do segmento, que inclui a operação no México, chegou a R$ 6,772 bilhões, alta de 16%.
Apesar do aumento nas vendas, a margem EBITDA da divisão brasileira caiu de 2,6% para 1,6%. O EBITDA recuou 24,9%, para R$ 111,3 milhões.
Segundo a empresa, o mercado de veículos passou por um período de maior concorrência, com a entrada de novas marcas, lançamentos de modelos e aumento das ações promocionais das montadoras.
Esse cenário pressionou os preços dos automóveis usados e os valores residuais considerados no cálculo da depreciação da frota.
Ao fim de setembro, a rede de seminovos contava com 272 lojas de veículos leves no Brasil, distribuídas em 139 cidades, além de quatro unidades voltadas à venda de caminhões.
Depreciação aumenta e dívida líquida chega a R$ 33 bilhões
O aumento da depreciação dos veículos aparece entre os fatores que afetaram os resultados da Localiza no 3T26.
Na operação de aluguel de carros, a despesa média anualizada por veículo chegou a R$ 8.757. Em gestão de frotas, o valor foi de R$ 9.231.
A Localiza informou que revisou as taxas de depreciação para acompanhar as mudanças nos preços de mercado dos automóveis.
No balanço financeiro, a dívida líquida atingiu R$ 33,063 bilhões ao fim de setembro, crescimento de 6,5% em relação a dezembro de 2025.
Desse montante, R$ 24,734 bilhões estavam protegidos por operações de swap que convertem a exposição ao CDI em taxas prefixadas. Os R$ 8,328 bilhões restantes permaneciam sujeitos à variação do indicador.
A posição de caixa da empresa era de R$ 11,448 bilhões no encerramento do trimestre.
Retorno sobre capital e remuneração aos acionistas
Nos nove primeiros meses de 2026, a Localiza apurou ROIC spread anualizado de 6,4 pontos percentuais. O indicador corresponde à diferença entre o retorno sobre o capital investido e o custo da dívida após impostos.
Considerando apenas o terceiro trimestre em base anualizada, o spread foi de 7,1 pontos percentuais.
A empresa também aprovou, em setembro, a distribuição de R$ 614,9 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP), equivalentes a R$ 0,556580 por ação. O pagamento está previsto para 18 de novembro de 2026, com base na posição acionária de 25 de setembro.
Com o resultado do trimestre, a evolução das tarifas de aluguel, os custos de depreciação e as margens da operação de seminovos seguem entre os indicadores a serem acompanhados nos próximos balanços da Localiza.






