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Juros altos derrubam recomendações de PagSeguro e Stone no BofA

Juros altos derrubam recomendações de PagSeguro e Stone no BofA

Custos de captação atrelados aos juros devem seguir corroendo a rentabilidade dos negócios de pagamento, avaliam os analistas

O Bank of America cortou as recomendações de PagSeguro (PAGS34) e Stone (STNE) de compra para neutra nesta quarta-feira (15), em um reposicionamento de toda a sua cobertura de financeiras não bancárias brasileiras para um cenário de juros altos por mais tempo.

O preço-alvo da PagSeguro caiu de US$ 12 para US$ 10, e o da Stone, de US$ 23 para US$ 13 — no mesmo relatório em que a B3 ($B3SA3) foi elevada para compra.

“Estamos revisando nossas recomendações no universo de financeiras não bancárias brasileiras para refletir um cenário macro mais desafiador, incorporando juros mais altos por mais tempo”, escreveram os analistas Mario Pierry, Antonio Ruette, Augusto Uehara e Ernesto Gabilondo.

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Selic mais alta por mais tempo

A mudança de rota parte da revisão do cenário monetário feita pelo próprio banco, com consequências em cadeia para custos de captação, qualidade do crédito, crescimento dos empréstimos e volumes negociados.

“Nossos economistas agora esperam que a Selic permaneça materialmente acima das nossas premissas anteriores ao longo de 2026 e 2027”, apontaram os analistas do BofA.

PagSeguro: rentabilidade sob pressão e crédito adiado

No caso da PagSeguro, o problema central está no elo direto entre os juros e a linha de resultado da companhia.

“Os custos de captação são correlacionados às taxas de juros e devem continuar pressionando a rentabilidade do negócio de pagamentos”, avaliaram Pierry, Ruette, Uehara e Gabilondo.

O ambiente mais duro também deve atrasar a execução da estratégia de crédito anunciada pela administração em setembro do ano passado, um dos pilares da tese anterior do banco.

“Embora o valuation permaneça pouco exigente, acreditamos que a relação risco-retorno se tornou mais equilibrada, com as expectativas de lucro sendo recalibradas para o novo cenário macro”, ponderaram os analistas.

Stone: tesourada de 43% no preço-alvo

O corte mais agressivo ficou com a Stone, cujo preço-alvo encolheu 43%. Para o banco, o aperto monetário atinge a companhia por duas frentes ao mesmo tempo.

“Juros mais altos devem aumentar os custos de captação no negócio de pagamentos, além de desacelerar o crescimento dos empréstimos e elevar as provisões no portfólio de crédito em expansão da Stone”, escreveram os analistas.

Com isso, as estimativas de lucro do BofA para 2026 e 2027 foram reduzidas e seguem bem abaixo do consenso de mercado — ainda que o preço da ação na bolsa funcione como amortecedor.

“Embora a perspectiva de lucros tenha enfraquecido, o baixo valuation da ação limita o espaço de queda, o que nos leva a adotar uma postura mais equilibrada”, concluíram Pierry, Ruette, Uehara e Gabilondo.

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