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Aura Minerals: queda das ações cria “assimetria atraente”, diz Safra

Aura Minerals: queda das ações cria “assimetria atraente”, diz Safra

Produção deve ganhar força no segundo semestre com a expansão de Almas e teores mais altos em Apoena e Borborema, compensando a mina MSG

O banco Safra saiu mais confiante de uma videoconferência realizada na segunda-feira (13) com o diretor financeiro da Aura Minerals (AURA33), Kleber Cardoso, e a equipe de relações com investidores da mineradora de ouro. A recomendação outperform, equivalente à compra, foi mantida.

Acreditamos que a recente queda das ações já precificou integralmente os números fracos de produção do segundo trimestre e reflete a expectativa de que a companhia não cumprirá o guidance, criando uma assimetria positiva atraente“, escreveram os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro.

Depois de produzir 75,4 mil onças equivalentes de ouro no segundo trimestre, queda de 8% ante o primeiro, a empresa espera uma recuperação relevante na segunda metade do ano.

A expansão da planta de Almas já sustenta desempenho melhor, Apoena deve avançar no terceiro trimestre e acelerar no quarto, quando a lavra atinge a área de alto teor, e Borborema segue caminho parecido, com o sequenciamento da mina concentrando os teores mais ricos no semestre.

“A administração segue confortável com uma produção consolidada em torno do ponto médio do intervalo do guidance de 2026”, apontaram os analistas.

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Virada da MSG ganha tração

A mina MSG segue como principal risco operacional. A produção do primeiro semestre ficou abaixo do plano porque a companhia priorizou o desenvolvimento primário do ativo, etapa necessária para migrar a lavra subterrânea para um método mais produtivo.

Com as lideranças já contratadas e novos equipamentos chegando, o custo total (AISC) fez pico no segundo trimestre e a produção deve melhorar daqui em diante, diluindo custos fixos.

“Embora a MSG possa não atingir seu ritmo-alvo em 2026, a melhora esperada ao longo do segundo semestre deve preparar o ativo para alcançar a meta de produção com um AISC abaixo de US$ 2.000 por onça a partir de 2027”, avaliaram Monegaglia e Isidoro.

Nos custos, a alta do petróleo e a volatilidade cambial provocadas pelos conflitos geopolíticos geram pressão, mas a exposição direta é limitada: o diesel responde por só 8% da base de custos, e mesmo no teste de estresse com os preços atuais a companhia segue dentro do guidance do ano.

“O principal vetor dos movimentos trimestrais de custos deve continuar sendo a produção”, ponderaram os analistas do Safra.

GDX no horizonte e recompra de US$ 200 milhões

No campo dos gatilhos, a Aura entrou recentemente no índice Russell 2000 e espera cumprir os critérios técnicos da revisão do GDX, principal ETF de mineradoras de ouro, marcada para meados de setembro — a inclusão, contudo, depende da discrição do gestor do fundo.

“A entrada no MSCI gerou US$ 275 milhões de liquidez na data efetiva, e a administração acredita que os fluxos ligados ao GDX podem ser relevantes”, calcularam Monegaglia e Isidoro.

Na alocação de capital, a companhia aprovou um programa de recompra de até US$ 200 milhões até junho de 2027 e pretende acelerar as compras quando o período de silêncio terminar, em 7 de agosto, aproveitando os dias de pregão mais fracos.

Com alavancagem de apenas 0,2 vez a dívida líquida sobre o Ebitda, há espaço para financiar o projeto Era Dorada, as expansões de Almas e Borborema e novas aquisições — peça-chave para a mineradora sair da rota atual de 600 mil onças rumo à meta de longo prazo de 1 milhão de onças por ano.