Home
Notícias
Ações
Ação da B3 é defensiva em cenário pessimista, diz BofA

Ação da B3 é defensiva em cenário pessimista, diz BofA

Analistas estimam que 60% das receitas da bolsa dependem da atividade de mercado e de serviços recorrentes, blindando os lucros do ciclo de juros

O Bank of America elevou a recomendação da B3 ($B3SA3) de neutra para compra nesta quarta-feira (15) e subiu o preço-alvo de R$ 20 para R$ 22, em relatório batizado de “Gimme shelter” — o clássico dos Rolling Stones que, na leitura do banco, resume o papel de abrigo que a dona da bolsa brasileira pode ter na carteira.

Elevamos a B3 para compra, uma vez que seu modelo de negócios diversificado deve sustentar os lucros mesmo em um ambiente de juros mais altos por mais tempo“, escreveram os analistas Mario Pierry, Antonio Ruette, Augusto Uehara e Ernesto Gabilondo.

A porta de entrada, segundo o banco, foi aberta pela desvalorização recente: a ação acumula queda de 23% desde o pico de abril, ante recuo de 11% do Ibovespa, e negocia a 11,2 vezes o lucro estimado para 2027 — perto da mínima histórica de 10,6 vezes, do fim de 2024, e com desconto de 45% frente aos pares globais, bem acima da média de 35% dos últimos cinco anos.

“Acreditamos que o mercado está subestimando essa resiliência de lucros”, avaliaram os analistas.

Publicidade
Publicidade

Lucros blindados do ciclo de juros

A tese de defesa está na composição das receitas. Pelas contas do BofA, apenas cerca de 30% do faturamento se beneficia diretamente de juros mais baixos, enquanto 10% ganham com taxas altas e 60% dependem de volatilidade, atividade de mercado e serviços recorrentes — o que protege o resultado em qualquer direção do ciclo.

“Um cenário macro mais favorável poderia provocar uma reprecificação significativa, já que a ação chegou a negociar perto de 20 vezes o lucro em um ambiente de juros de um dígito”, apontaram Pierry, Ruette, Uehara e Gabilondo.

Imposto menor engorda o lucro

O banco também elevou as estimativas de lucro em 5% para 2026 e 6% para 2027, ao incorporar uma alíquota efetiva de imposto de cerca de 19%, ante os 23% a 24% anteriores, graças à distribuição extraordinária de juros sobre capital próprio anunciada pela companhia.

As projeções de receita seguem praticamente inalteradas, com altas de 14% neste ano e de 8% no próximo.

Com o ganho tributário, a expectativa passou a ser de crescimento do lucro líquido de 26% em 2026 e de 7% em 2027, entre 6% e 7% acima do consenso de mercado.

“Defensiva em um cenário pessimista, com reprecificação em um cenário otimista”, resumiram os analistas do BofA.

O novo preço-alvo se baseia em um múltiplo de 16 vezes o lucro por ação estimado para 2027, em linha com a média histórica do papel.

“Nosso novo preço-alvo implica potencial de valorização de cerca de 40%, além de um dividend yield de 10% em 2027”, calcularam os analistas.