O IRB (IRBR3) lucrou R$ 158 milhões no 2º trimestre de 2026, alta de 55% ante o trimestre anterior e de 10% em um ano, com retorno sobre o patrimônio de 12,5%. O número ficou 13% acima da projeção do BTG Pactual e 16% acima do consenso. As ações sobem quase 5% em reação ao anúncio nesta sexta-feira (14).
Sem o efeito não caixa do ajuste de ativos fiscais, o lucro recorrente teria alcançado R$ 185 milhões, 36% acima do que esperava o mercado, com retorno sobre o patrimônio tangível de 23%.
“A principal fraqueza foi novamente a receita, que segue como o maior obstáculo para uma aceleração mais relevante dos lucros”, escreveram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, analistas do BTG Pactual.
Prêmios retidos resistem melhor que os emitidos
Os prêmios emitidos caíram 14% em um ano. Os retidos recuaram bem menos, 5%, resultado do custo menor de retrocessão. Em 12 meses, a retenção cedeu 8%, com o Brasil em queda de 16%, a América Latina fora do Brasil em alta de 2% e a operação internacional avançando 9%. Rural e Vida puxaram o resultado para baixo, e o resseguro rural encolheu 30% no primeiro semestre.
“Enquanto o crescimento da receita segue fraco, o IRB está retendo uma parcela maior dos prêmios”, apontaram os analistas do BTG Pactual.
Abaixo da linha de receita, a fotografia melhora. A sinistralidade ficou em 42%, com 13% no Brasil e 89% no exterior, e o índice de comissionamento, em 19%. O segmento de danos lucrou R$ 220 milhões, alta de 58% em um ano, enquanto Vida, em reformulação, ainda deu prejuízo de R$ 34 milhões por conta de contratos legados.
O patrimônio ajustado subiu 7% no trimestre mesmo com o pagamento de dividendos, para R$ 1,860 bilhão, e os créditos tributários somam R$ 2,310 bilhões, o equivalente a 45% do patrimônio contábil.
“Acreditamos que essas iniciativas podem levar o lucro recorrente do IRB para além de R$ 700 milhões, com risco de alta para os nossos números”, calcularam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Corte da CSLL segue para o Senado
A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira o Projeto de Lei 3540/2026, do deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), que reduz de 15% para 9% a alíquota de CSLL das resseguradoras locais. O texto ainda derruba o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais, ponto de peso para o IRB, que carrega bases negativas relevantes.
A medida busca corrigir a assimetria com as resseguradoras estrangeiras, que operam no Brasil sem recolher CSLL nem imposto de renda no País. O projeto agora vai ao Senado.
“O IRB está se tornando cada vez mais uma história de crescimento de lucros de vários anos, e não simplesmente uma história de recuperação”, disseram os analistas do BTG Pactual, que reiteraram a recomendação de compra.






