A Tyson Foods anunciou uma nova reestruturação da rede de carne bovina nos Estados Unidos, com fechamento e venda de plantas. O objetivo é reduzir a capacidade ociosa de um sistema montado para um rebanho que já não existe. Para o Bradesco BBI e a Ágora Investimentos, o movimento favorece JBS (JBSS3) e Marfrig, hoje MBRF (MBRF3).
A decisão vem depois de fechamentos recentes da própria Tyson e da JBS. A oferta de gado nos Estados Unidos está em mínimas históricas e as perdas na indústria vinham se acumulando.
“Essa racionalização indica um reconhecimento de que a estrutura atual era muito grande para o rebanho disponível, criando um ambiente operacional mais equilibrado”, afirmou Henrique Brustolin, analista do Bradesco BBI.
Utilização do setor deve sair de 79% para 84%
Com a Tyson liderando o ajuste, a taxa de utilização da indústria tende a subir de cerca de 79% em 2025 para algo próximo de 84% em base pro-forma. O corte acumulado equivale a aproximadamente 10% da base instalada, o maior ciclo de racionalização em anos.
Menos capacidade ociosa significa concorrência menor por um gado escasso e caro. É justamente esse ponto que sustenta a leitura dos analistas sobre o preço da matéria-prima.
“Esse movimento em direção a um cenário mais equilibrado pode sustentar uma melhora nas margens mais cedo do que o esperado”, apontou Ricardo França, analista da Ágora Investimentos.
Leitura positiva para JBS e Marfrig
Os frigoríficos brasileiros com operação nos Estados Unidos vinham sofrendo com o ciclo do gado, que comprime a margem bruta da carne bovina. Um setor menor e mais ajustado muda a equação, ainda que o rebanho leve trimestres para se recompor.
“Vemos essa dinâmica como claramente positiva para a JBS e a Marfrig, com a JBS permanecendo como nossa principal escolha no setor de proteínas”, disse Henrique Brustolin, do Bradesco BBI.






