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Grupo Mateus sobe quase 4% apesar de vendas mesmas lojas caírem 8%

Grupo Mateus sobe quase 4% apesar de vendas mesmas lojas caírem 8%

Lucro recuou 39%, dívida líquida aumentou e demanda permaneceu pressionada; melhora sequencial das margens ajudou a sustentar reação positiva

As ações do Grupo Mateus (GMAT3) subiam 3,69% na tarde desta sexta-feira (14), cotadas a R$ 3,93 por volta das 14h26. O avanço ocorria apesar da avaliação negativa de Bradesco BBI, XP e BTG Pactual sobre a dinâmica das vendas no segundo trimestre de 2026.

A receita líquida consolidada cresceu 12,2% na comparação anual, para R$ 9,85 bilhões. A expansão, entretanto, foi sustentada principalmente pela consolidação do Novo Atacarejo, pela abertura de lojas e pelo crescimento das divisões B2B e Eletro.

Nas vendas mesmas lojas, que consideram unidades abertas há mais de um ano, houve queda de 8%. O desempenho piorou em relação à retração de 7,3% registrada no primeiro trimestre e também ficou abaixo da redução de 7% projetada pelo BTG.

O Bradesco BBI classificou o trimestre como fraco e afirmou que a demanda continuou pressionada no Nordeste. A XP também destacou a deterioração das receitas orgânicas, parcialmente compensada pelo controle de despesas e pela recuperação sequencial das margens.

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Vendas recuam com consumo pressionado

Segundo a administração, o desempenho das vendas refletiu o endividamento das famílias, a busca dos consumidores por produtos mais baratos e a redução das operações no canal de balcão, que apresenta margens menores.

A fraqueza ficou concentrada principalmente nas operações do Novo Atacarejo em Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Nesses estados, as vendas mesmas lojas caíram 13,6%. Nas demais regiões atendidas pelo grupo, a retração foi de 6%.

Apesar da demanda pressionada, a companhia encerrou o trimestre com 234 lojas de varejo alimentar, após seis inaugurações. O número de representantes comerciais da operação B2B cresceu 26% em um ano, para 6.993.

“A visibilidade para uma recuperação da receita segue limitada, mantendo a tese sensível ao cenário macroeconômico”, avaliou o Bradesco BBI.

A XP também não espera uma melhora relevante das tendências de receita no curto prazo. Para a corretora, a continuidade dos obstáculos macroeconômicos pode dificultar a sustentação das margens diante da menor diluição dos custos operacionais.

Margens melhoram, mas Ebitda recua

A margem bruta alcançou 23,5%, recuo de 0,3 ponto percentual na comparação anual, mas avanço de 0,6 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre. O resultado ficou acima das estimativas da XP e do BTG.

A melhora sequencial foi sustentada pela recuperação da margem do Novo Atacarejo, pelas negociações com fornecedores e pelas iniciativas de eficiência comercial. A XP ressaltou, porém, que todo o avanço veio do Novo, enquanto a margem do negócio legado recuou ligeiramente.

As despesas operacionais representaram 16,4% da receita líquida, ante 17,4% no primeiro trimestre. A redução refletiu o programa de produtividade iniciado no fim de 2025, a reorganização interna e a queda das provisões para perdas com crédito.

No critério pós-IFRS 16, o Ebitda atingiu R$ 682 milhões, queda anual de 12,1% e resultado 2% abaixo da estimativa do BTG. A margem Ebitda ficou em 6,9%, praticamente em linha com o esperado e acima dos 5,8% registrados no trimestre anterior.

Excluídos os efeitos do IFRS 16, o Ebitda somou R$ 524 milhões, retração anual de 21,1%. O indicador ficou em linha com a estimativa do BTG e 14% acima da projeção da XP.

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Lucro cai e dívida aumenta

O lucro líquido atribuível aos acionistas controladores alcançou R$ 237 milhões, queda de 39,3% na comparação anual, embora tenha superado a estimativa de R$ 217 milhões do BTG.

Na metodologia do Bradesco BBI, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 242 milhões e veio abaixo da projeção do banco. O resultado foi pressionado pelas despesas financeiras maiores do que o esperado.

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 247 milhões, piora de 11% em relação ao primeiro trimestre e resultado 9% mais fraco do que a estimativa do BTG.

A geração de caixa também entrou no radar. O fluxo de caixa livre, desconsiderando arrendamentos e vendas de ativos, ficou negativo em R$ 223 milhões. A companhia aumentou os estoques em R$ 516 milhões para as campanhas de aniversário previstas para o terceiro trimestre.

Com isso, a dívida líquida subiu de R$ 736 milhões em março para R$ 1,09 bilhão em junho. A alavancagem passou de 0,33 vez para 0,51 vez o Ebitda, patamar ainda considerado confortável pelo BTG.

O Bradesco BBI também destacou o aumento de R$ 1,2 bilhão nas contingências fiscais não reconhecidas no balanço, que chegaram a R$ 4,9 bilhões. A maior parte está relacionada à exclusão de subsídios de ICMS da base de cálculo de tributos federais.

BTG mantém recomendação de compra

Apesar da fraqueza das vendas, o BTG manteve recomendação de compra para as ações do Grupo Mateus, com preço-alvo de R$ 9. O banco considera que a avaliação atual já incorpora uma parcela relevante dos desafios operacionais.

A instituição destacou como pontos positivos a posição regional da companhia, a baixa alavancagem e as oportunidades de expansão no Norte e no Nordeste. Ainda assim, avaliou que o consumo enfraquecido e a pressão competitiva devem manter os investidores cautelosos no curto prazo.

A reação positiva de GMAT3 no pregão indicava que o mercado dava maior peso à recuperação sequencial das margens e ao controle das despesas, mesmo diante da queda das vendas orgânicas, do lucro pressionado e do aumento da dívida.

Infográfico Grupo Mateus