A venda do Porto de São Luís pela Cosan (CSAN3) por R$ 300 milhões pode ter um efeito mais relevante sobre a companhia do que o valor da transação sugere. Em relatório, a Ágora avaliou que a operação, embora envolva um preço inferior ao valor contábil do ativo e ao montante pago anteriormente pela empresa, deve ser bem recebida pelo mercado por contribuir para a redução da dívida líquida da holding.
A Cosan formalizou uma carta de intenções para vender sua participação integral no porto, no Maranhão. O acordo estabelece um período de exclusividade para a negociação do contrato definitivo. A operação ainda prevê um pagamento adicional, na modalidade earn-out, de R$ 50 milhões por cada novo berço de atracação implementado no porto até 2035, com correção pelo IPCA.
Para a Ágora, o ponto central da transação é sua aderência à estratégia de simplificação do portfólio da Cosan e de desalavancagem da holding. O banco avalia que, nesse contexto, a redução do endividamento tende a pesar mais para os investidores do que uma eventual perda contábil na venda do ativo.
Operação não deve comprometer dividendos
A operação também não deve comprometer o pagamento de dividendos, segundo a análise, já que o Porto de São Luís é considerado um ativo não operacional da companhia.
O preço de R$ 300 milhões, porém, fica abaixo do valor contábil do porto e também do preço desembolsado anteriormente pela Cosan para adquirir o ativo. Ainda assim, a Ágora entende que o mercado deve reagir positivamente à operação caso ela contribua para acelerar a redução da dívida líquida da holding.
Além do pagamento inicial, a estrutura da venda mantém para a Cosan um potencial ganho adicional caso haja expansão da capacidade do porto. Cada novo berço de atracação implementado até 2035 poderá gerar R$ 50 milhões adicionais à companhia, corrigidos pela inflação.
Na avaliação da Ágora, a venda reforça uma das principais prioridades da Cosan neste momento: simplificar sua estrutura e direcionar recursos para reduzir o endividamento. Nesse cenário, a transação sinaliza ao mercado uma disposição da companhia de abrir mão de ativos não essenciais em troca de uma estrutura financeira mais enxuta.
Para os investidores, portanto, o principal aspecto da operação não é o valor obtido pelo Porto de São Luís, mas o potencial de avanço na desalavancagem da Cosan.
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