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Braskem: Qualquer solução irá diluir os acionistas

Braskem: Qualquer solução irá diluir os acionistas

A companhia, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial, agora prepara um plano para converter parte da dívida de R$ 56,5 bilhões em ações

Qualquer possível solução para o imbróglio envolvendo a recuperação judicial da Braskem (BRKM5) resultará em uma diluição dos atuais acionistas, opina o Bradesco BBI em um relatório enviado a clientes nesta quarta-feira (26).

A petroquímica entrou com pedido de recuperação extrajudicial na segunda-feira (24) para a renegociação de cerca R$ 56,5 bilhões em dívidas. Segundo o portal Pipeline, o plano negociado com os credores já alcança 39,6% do total da dívida que necessitará ser reestruturada.

Segundo a reportagem, os principais acionistas da empresa já teriam aceitado uma capitalização da empresa por meio de uma oferta de ações, com uma garantia de sucesso oferecida pelos controladores IG Capital (34,32% de participação) e Petrobras (36,15%).

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Caso o valor não seja suficiente para atingir os níveis desejadas de endividamento (covenants), então uma conversão da dívida em ações seria o último passo do plano.

Segundo os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, essa sucessão de possibilidades reforça a baixa visibilidade sobre os próximos passos do plano.

“Continuamos estimando que a companhia precisa reduzir sua dívida líquida entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para alcançar uma estrutura de capital sustentável. Em nossa avaliação, qualquer solução capaz de promover essa redução deverá resultar em diluição relevante para os atuais acionistas”, afirmam.

Saiba mais sobre o plano

O documento protocolado apresenta os parâmetros que orientarão as negociações entre a Braskem, seus principais acionistas e os credores financeiros. As condições definitivas, entretanto, ainda precisarão ser acordadas e incluídas em uma versão atualizada do plano.

Entre as medidas previstas estão o alongamento dos vencimentos e a capitalização dos juros durante um período de alívio financeiro. Em contrapartida, os credores poderão receber melhorias nas condições econômicas e de crédito, além de mecanismos de fiscalização e acompanhamento da companhia.

“O Plano estabelece, entre outros, o aditamento e alongamento das obrigações e vencimento dos Créditos Sujeitos, incluindo a capitalização de juros durante certo período a ser definido, considerando a reestruturação operacional da Companhia e as necessidades de capital e liquidez das Devedoras”, detalhou a Braskem.

O plano também admite um eventual suporte de liquidez dos principais acionistas durante o período de alívio. Ao final desse intervalo, os controladores ou terceiros poderão aportar ou garantir capital caso a Braskem não alcance determinadas métricas financeiras, ainda sujeitas a negociação.

Outra possibilidade é a capitalização de parte dos créditos, com a conversão de dívida em participação na companhia. Caso o mecanismo resulte na emissão de novas ações, poderá ocorrer diluição da participação dos atuais acionistas. O tamanho desse eventual efeito dependerá dos termos ainda não definidos.

O Shine I Fundo de Investimento em Participações e a Petrobras (PETR4), apontados como os principais acionistas da Braskem, manifestaram apoio ao plano. Qualquer aporte ou garantia de capital, contudo, continuará sujeito às respectivas aprovações de governança.

Recuperação não inclui fornecedores e clientes

Segundo a Braskem, o protocolo produz efeito imediato e suspende a exigibilidade das obrigações relacionadas aos US$ 10,9 bilhões incluídos no processo. A medida cria um ambiente protegido para a negociação, mas não significa que as condições definitivas já tenham sido aprovadas pelos credores ou homologadas pela Justiça.

“A Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente”, esclareceu a empresa.

Dessa forma, contratos e pagamentos envolvendo fornecedores, clientes e outros parceiros continuam válidos. O objetivo é restringir a recuperação às obrigações financeiras quirografárias, preservando a continuidade das atividades operacionais da petroquímica.

A proposta também estabelece metas intermediárias que deverão ser cumpridas durante os próximos 90 dias e concede aos credores signatários direitos de encerramento antecipado do acordo em determinadas situações. A Braskem classificou o pedido como um avanço para alcançar uma estrutura de capital sustentável no longo prazo.

Os prazos, as condições de pagamento, o possível aporte dos acionistas e a parcela de dívida que poderá ser convertida em capital permanecem em negociação.

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