As BDRs do Banco Inter (INBR32) se recuperaram 6% nesta terça-feira (12), após um evento com investidores em Nova York que trouxe mais clareza sobre a estratégia da fintech para os próximos anos.
A alta, porém, não apaga o quadro mais amplo: os papéis ainda acumulam queda de 31% em 2026, refletindo o desconforto do mercado com a pressão no custo de risco e a revisão das metas de curto prazo.
Owners’ Day traz estratégia, mas também frustrações
No evento, o Inter apresentou a chamada “Regra dos 50”, que combina crescimento e retorno sobre patrimônio (ROE) em torno de 50% a partir deste ano. A meta de ROE foi revisada para o intervalo de 26% a 30% até o final de 2029 — comparado aos 15,5% registrados no primeiro trimestre de 2026.
“O Owners’ Day foi um evento construtivo ao trazer maior clareza sobre as estratégias até 2029 e ao alinhar expectativas de longo prazo, ainda que com maior transparência sobre as pressões de curto prazo, especialmente em custo de risco”, avaliam os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI.
Projeções cortadas, mas tese permanece
Após incorporar o resultado do primeiro trimestre e as novas diretrizes do banco, o Bradesco BBI reduziu suas estimativas de lucro líquido para R$ 1,7 bilhão em 2026 — queda de 8,4% — e R$ 2,3 bilhões em 2027, corte de 11,8%.
“Esses níveis agora ficam 8,8% e 7,7% abaixo do consenso”, destacam Mizrahi e Chanes. O banco também ajustou o preço-alvo para R$ 42 por INBR32, implicando múltiplos de 7,8 vezes o lucro para 2026. Para o ano, o Inter sinalizou expansão da margem financeira em torno de 35% e custo de risco próximo de 6%.
IA e personalização como alavancas de crescimento
A estratégia do Inter está ancorada em três pilares: o superapp 3SA, o Data Vault e o Seven, ferramenta de inteligência artificial multiagente.
“As cobranças digitais baseadas em IA representam agora cerca de 90% do volume total, contribuindo para a melhoria das tendências de inadimplência”, ressaltam os analistas.
A hiperpersonalização de crédito já proporcionou aumento de aproximadamente 10% na lucratividade. Apesar dos cortes nas estimativas, o Bradesco BBI mantém recomendação de compra.
“O valuation atual — cerca de 7,8 vezes o lucro e 1,2 vez o valor patrimonial — parece descontar excessivamente os riscos no curto prazo”, concluem Mizrahi e Chanes, apontando assimetria positiva no médio e longo prazo.






