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IG4 Capital prepara oferta vinculante para assumir o controle da Raízen

IG4 Capital prepara oferta vinculante para assumir o controle da Raízen

Gestora que conduz a reestruturação da Braskem deve formalizar proposta nas próximas semanas e busca adesão de mais de 50% dos créditos

A IG4 Capital está preparando uma oferta vinculante aos credores da Raízen (RAIZ4) que pode levar a gestora ao controle da companhia, segundo o jornal O Globo. A proposta firme deve sair nas próximas semanas.

O movimento vem dois meses depois de uma oferta não vinculante. A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan (CSAN3), passa pela maior reestruturação extrajudicial já feita no Brasil, com dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões.

Conversão de créditos abre caminho para o controle

Para avançar, a IG4 precisa da adesão de mais de 50% dos créditos. Os credores respondem por 80% da operação, e a conversão dessas dívidas em participação acionária é o que daria à gestora o comando da empresa.

O desenho deve repetir a fórmula usada na Braskem (BRKM5), cuja reestruturação também é liderada pela IG4. A proposta combinaria pagamento em dinheiro e direitos creditórios conversíveis em ações.

Açúcar e etanol concentram o interesse

O plano de recuperação prevê a divisão da Raízen em duas unidades. Uma ficaria com o negócio de combustíveis. A outra reuniria as operações de açúcar e etanol.

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É esta segunda frente que atrai a IG4, de acordo com a reportagem. A separação, portanto, permitiria à gestora concentrar a aposta no ativo que lhe interessa, sem carregar a distribuição de combustíveis.

Bonds ganham argumento

Para quem detém a dívida da Raízen, a entrada de um interessado no controle muda o cálculo. É nesse ponto que se apoia a avaliação do Bradesco BBI e da Ágora Investimentos sobre os títulos da companhia.

“O interesse da IG4 em ingressar na base acionária da RAIZ4 por meio da conversão de créditos reforça nossa tese de que os preços dos títulos de dívida da companhia estão atrativos”, afirmaram Vicente Falanga, analista do Bradesco BBI, e Ricardo França, da Ágora Investimentos.

O desfecho, no entanto, depende da resposta dos credores a uma oferta firme que ainda não foi apresentada. Sem a adesão de mais da metade dos créditos, a conversão em ações não sai do papel.

“A potencial transação poderá contribuir para a valorização dos bonds da Raízen”, projetaram Falanga e França.