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Ultrapar reduz alavancagem e mira mais retorno ao acionista, aponta BTG

Ultrapar reduz alavancagem e mira mais retorno ao acionista, aponta BTG

Companhia adota postura mais seletiva nos investimentos, enquanto Ipiranga e demais negócios avançam em projetos de eficiência e crescimento

A Ultrapar (UGPA3) reforçou sua estratégia de disciplina na alocação de capital, redução da alavancagem e melhoria operacional durante o Dia do Investidor de 2026. Para o BTG Pactual, as mensagens apresentadas pela companhia sustentam uma visão positiva para o grupo e justificam a manutenção da recomendação de compra para as ações.

Na avaliação dos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, a administração da Ultrapar demonstrou uma postura cada vez mais seletiva em relação aos investimentos, ao mesmo tempo em que mantém iniciativas voltadas para eficiência e crescimento nas principais empresas do grupo.

“O Investor Day confirmou nossa visão de que a Ultrapar está combinando disciplina de capital, um balanço mais conservador e execução operacional consistente. A companhia continua seletiva na busca por oportunidades e mantém alternativas como dividendos e recompra de ações para a alocação de caixa”, afirmam Almeida e Cunha.

Um dos principais pontos destacados pelo BTG foi a revisão da referência de alavancagem da companhia. A Ultrapar passou a trabalhar com uma faixa de dívida líquida sobre Ebitda entre 1,0 e 1,5 vez, ante o intervalo de 1,5 a 2,0 vezes adotado no ano anterior. Segundo o banco, a mudança reflete um ambiente macroeconômico e geopolítico mais incerto.

A seletividade na alocação de capital também ganhou destaque. Desde 2021, a administração afirma ter avaliado mais de 100 transações, mas concluiu apenas 14 delas. Além disso, quanto mais distante do crescimento orgânico estiver uma oportunidade de investimento, maior tende a ser o retorno exigido pela companhia.

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“A mensagem mais importante é que a Ultrapar não pretende perseguir crescimento a qualquer custo. A companhia deixou claro que os retornos exigidos aumentam quando os investimentos envolvem novos negócios, preservando a flexibilidade para devolver capital aos acionistas quando as oportunidades não forem suficientemente atrativas”, dizem os analistas.

Ipiranga concentra oportunidades

A Ipiranga foi um dos principais destaques do evento. A administração apresentou o abastecimento como uma competência estratégica, envolvendo originação global, inteligência comercial e logística para otimizar resultados em um mercado caracterizado por estoques mais restritos.

O BTG também avalia positivamente a melhora do ambiente competitivo, especialmente diante do avanço no combate a concorrentes irregulares. Na visão do banco, esse movimento pode abrir espaço para a Ipiranga ampliar sua rede de postos e expandir as operações B2B e TRR, desde que sejam respeitados critérios de retorno e conformidade.

“O avanço no combate à concorrência irregular é importante porque pode melhorar a qualidade do mercado e criar oportunidades de crescimento para a Ipiranga. Ao mesmo tempo, vemos espaço para expansão tanto no varejo quanto no B2B/TRR”, afirmam Almeida e Cunha.

Outro projeto relevante é a implementação de um novo sistema de ERP, prevista para 2027. Segundo a companhia, a iniciativa poderá proporcionar mais de R$ 200 milhões por ano em otimização de custos, despesas e investimentos a partir de 2028.

Apesar das perspectivas favoráveis, o BTG ressalta que o evento trouxe visibilidade limitada sobre as margens de curto prazo da Ipiranga e sobre o desempenho esperado para o terceiro trimestre de 2026.

Eficiência ganha espaço no portfólio

Além da Ipiranga, as demais empresas do grupo apresentaram iniciativas destinadas a ampliar a eficiência e melhorar a geração de valor.

Na Ultragaz, o foco está na melhoria do mix de clientes, investimentos em logística e desenvolvimento de ofertas adjacentes de energia. O programa de tecnologia da empresa tem potencial para gerar mais de R$ 100 milhões anuais em otimizações de custos e despesas a partir de 2028.

A Iconic, joint venture de lubrificantes entre Ultrapar e Chevron, destacou sua infraestrutura, tecnologia e portfólio de produtos. A empresa deverá passar a ter um segmento próprio de reporte a partir de 2027, o que, segundo o BTG, deve ampliar a transparência sobre o desempenho do negócio.

Já a Ultracargo está concentrada em elevar o retorno dos investimentos de capacidade realizados recentemente. Na Hidrovias, a prioridade é solucionar gargalos operacionais e redesenhar a estratégia de expansão no Arco Norte.

“Vemos iniciativas relevantes de criação de valor em praticamente todo o portfólio. O ponto central agora é transformar esses investimentos e projetos de eficiência em retornos efetivos, especialmente em um cenário em que a companhia está sendo mais rigorosa na alocação de capital”, afirmam os analistas.

Dividendos e recompras no radar

Outro aspecto considerado positivo pelo BTG é a possibilidade de a Ultrapar direcionar recursos aos acionistas caso não encontre oportunidades de investimento que atendam aos seus critérios de retorno.

A administração também apresentou mudanças no plano de remuneração executiva, com incentivos vinculados à geração de caixa, EVA (valor econômico agregado) e TSR (retorno total ao acionista).

Para Almeida e Cunha, esse modelo reforça o alinhamento entre a administração e os investidores.

“A vinculação da remuneração à geração de caixa, ao EVA e ao TSR é um sinal positivo, porque cria incentivos para que a administração priorize geração de valor e retorno aos acionistas, e não apenas crescimento de receita ou expansão do portfólio”, avaliam.

Com a combinação de melhora operacional, disciplina financeira, seletividade em investimentos e potencial de distribuição de capital, o BTG Pactual mantém sua recomendação de compra para a Ultrapar.

Segundo os analistas, o principal argumento para a tese permanece o forte impulso dos resultados, combinado à possibilidade de que dividendos e recompras ganhem relevância na alocação de capital da companhia.