A Fitch Ratings rebaixou o rating nacional de longo prazo da Compass Gás e Energia de “AAA(bra)” para “AA(bra)” e colocou a classificação em observação negativa, em um movimento que reflete, principalmente, o aumento do risco associado à sua controladora, a Cosan (CSAN3). Esse movimento ocorre antes do IPO da companhia, já protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A decisão também atingiu a subsidiária TRSP – Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liqufeito (GNL) de São Paulo e suas debêntures, reforçando o efeito em cadeia provocado pela deterioração da percepção de crédito da holding.
Segundo a agência, embora o perfil de crédito individual da Compass seja considerado sólido e até superior ao da Cosan, o forte vínculo entre as empresas limita a nota da subsidiária. Isso ocorre porque a Cosan, como acionista majoritária, mantém amplo controle sobre decisões estratégicas e financeiras, incluindo a política de distribuição de dividendos.
Na prática, a Fitch entende que a Compass pode ser pressionada a sustentar elevados repasses de dividendos para a controladora, o que tende a reduzir sua flexibilidade financeira e impactar a geração de caixa. Esse fator foi determinante para limitar a distância entre os ratings das duas companhias.
Fundamentos robustos
Apesar do rebaixamento, a Compass segue sustentada por fundamentos operacionais robustos. A empresa tem como principal ativo a Comgás, maior distribuidora de gás natural do país, que garante fluxo consistente de dividendos e um perfil financeiro considerado conservador, segundo diz o relatório da Fitch.
Além disso, a companhia possui diversificação no setor, com atuação em distribuição, comercialização, regaseificação e projetos de biometano. A subsidiária TRSP, por sua vez, teve seu rating equiparado ao da Compass, refletindo a expectativa de suporte integral da controladora, que garante 100% de suas dívidas.
O setor de gás natural também é visto como relativamente resiliente, sustentado por contratos de longo prazo e mecanismos de repasse de custos. Ainda assim, a Fitch alerta que a recente alta do petróleo pode elevar os preços ao consumidor final e reduzir a demanda.
Mesmo com o cenário mais desafiador, a agência projeta que a Compass manterá uma estrutura de capital sólida, com alavancagem líquida inferior a 3 vezes no horizonte de análise. No entanto, a observação negativa indica que novos rebaixamentos não estão descartados, especialmente se persistirem as pressões vindas da controladora.
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