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Entenda como El Niño pode beneficiar Rumo e pressionar Hidrovias do Brasil

Entenda como El Niño pode beneficiar Rumo e pressionar Hidrovias do Brasil

Relatório do BTG Pactual aponta aumento expressivo da probabilidade de um El Niño muito forte no fim de 2026

O aumento da probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte no último trimestre de 2026 pode alterar significativamente a dinâmica logística do agronegócio brasileiro, favorecendo a Rumo (RAIL3) e ampliando os desafios operacionais da Hidrovias do Brasil (HBSA3), segundo relatório divulgado pelo BTG Pactual (BPAC11) nesta quinta-feira (11).

A avaliação do banco foi motivada pela atualização das projeções do Climate Prediction Center (CPC), que elevou para 62% a chance de um evento de El Niño classificado como “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026. O percentual representa um aumento de 29 pontos percentuais em relação à estimativa anterior e coincide com o período de maior vulnerabilidade hidrológica na região Norte.

Risco logístico

Na visão dos analistas, a principal consequência desse cenário seria a redução dos níveis dos rios utilizados para o transporte de grãos, comprometendo a navegabilidade em importantes corredores logísticos da Amazônia.

Segundo o relatório, episódios de El Niño moderado ou forte historicamente reduziram a profundidade dos rios da região em mais de 17%, enquanto eventos muito fortes provocaram quedas superiores a 30%. Com a nova projeção climática, o BTG acredita que aumenta o risco de restrições operacionais para a Hidrovias do Brasil no fim do próximo ano.

Os indicadores mais recentes já mostram sinais de deterioração. Em maio, os níveis dos rios ficaram 1,8% abaixo dos registrados um ano antes e 2,5% inferiores à média histórica para o período. Além disso, medições realizadas nos rios Tapajós e Amazonas apontaram profundidades ligeiramente abaixo dos padrões históricos.

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Benefício para a Rumo

Por outro lado, o banco vê a atualização climática como um potencial catalisador para a Rumo. Historicamente, quando há limitações nos corredores logísticos do Arco Norte, parte relevante das exportações de grãos é redirecionada para os portos do Arco Sul, especialmente Santos.

Esse movimento tende a aumentar a demanda pelos serviços ferroviários da companhia, impulsionando tanto os volumes transportados quanto o poder de precificação em períodos de maior restrição logística.

De acordo com o BTG, caso as projeções para o El Niño se confirmem, a Rumo poderá registrar ganhos operacionais relevantes no quarto trimestre de 2026, beneficiada pela migração dos fluxos de exportação e pela maior utilização de sua infraestrutura.

Recomendação mantida

Apesar do aumento dos riscos climáticos, o BTG manteve recomendação neutra para a Hidrovias do Brasil. Na avaliação dos analistas, a possibilidade de interrupções relacionadas ao clima limita o potencial de valorização das ações no curto prazo.

Já para a Rumo, o cenário climático reforça uma perspectiva mais favorável para o final de 2026, com potencial de captura de volumes adicionais em um ambiente de capacidade mais apertada nas rotas concorrentes. Segundo o banco, essa combinação pode representar um importante vetor positivo para os resultados da companhia.

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