As distribuidoras de combustíveis, com destaque para Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), devem apresentar resultados robustos no 2TRI26, segundo a prévia divulgada pela XP Investimentos. A casa revisou para cima os preços-alvo das companhias e manteve a recomendação de compra para a Vibra, destacando um cenário operacional favorável, impulsionado pelo desconto entre os preços domésticos dos combustíveis e a paridade internacional.
Na avaliação da XP, esse ambiente continua beneficiando principalmente as grandes distribuidoras, que atuam como fornecedoras estruturais do mercado. O acesso garantido aos volumes fornecidos pela Petrobras reduziu a competitividade de participantes oportunistas e fortaleceu a capacidade dessas empresas de ampliar margens e resultados ao longo do trimestre.
Preferência pela Vibra
A atualização das estimativas levou a XP a elevar o preço-alvo da Vibra Energia de R$ 37 para R$ 39 por ação, indicando potencial de valorização próximo de 13%. Para a Ultrapar, o novo preço-alvo passou de R$ 31 para R$ 34, o que representa uma expectativa de alta de aproximadamente 6%.
Apesar da revisão positiva para ambas as empresas, a corretora mantém preferência pela Vibra. O principal argumento está na expectativa de maior geração de caixa livre para o acionista (FCFE), com retornos estimados em 19% para 2026 e 12% para 2027, acima das projeções da Ultrapar, estimadas em 16,6% e 11%, respectivamente.
Além da valorização potencial das ações, a corretora revisou suas projeções operacionais para os próximos anos. As estimativas de margens EBITDA da Vibra foram elevadas para R$ 297 por metro cúbico em 2026 e R$ 191 em 2027, enquanto a Ipiranga, principal operação da Ultrapar no segmento de distribuição, deverá alcançar R$ 301 e R$ 176 por metro cúbico nesses mesmos períodos.
Ambiente competitivo continua favorecendo grandes distribuidoras
Segundo a análise, o desempenho positivo observado no primeiro trimestre de 2026 deve se repetir entre abril e junho. Durante o período, o aumento dos preços internacionais do petróleo, impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, elevou significativamente os custos dos combustíveis importados.
Ao mesmo tempo, a manutenção dos preços domésticos da Petrobras abaixo da paridade internacional criou uma vantagem competitiva relevante para as grandes distribuidoras de combustíveis. Como Vibra Energia e Ipiranga possuem cotas de fornecimento garantidas pela estatal, conseguiram acessar volumes com custos mais competitivos do que importadores independentes.
A XP acredita que essa dinâmica reduziu o espaço para operadores ocasionais no mercado, fortalecendo ainda mais a posição das distribuidoras de combustíveis consolidadas. Para a instituição, esse movimento pode continuar favorecendo a redistribuição da rentabilidade do setor também no médio e longo prazo.
Vibra Energia deve apresentar crescimento expressivo
Entre as empresas analisadas, a Vibra Energia aparece como o principal destaque da prévia. A expectativa é de que a companhia registre EBITDA de R$ 4,2 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 75% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 248% na comparação anual.
A área de distribuição deve responder praticamente por todo esse desempenho, com EBITDA estimado em R$ 4 bilhões e margem de R$ 445 por metro cúbico. Em contrapartida, a Comerc tende a apresentar resultados mais modestos, pressionados pela piora do efeito de modulação do portfólio solar e pelos elevados índices de curtailment, estimados em cerca de 20% no período.
Mesmo com esse impacto negativo na divisão de energia, a expectativa da XP é de lucro líquido de aproximadamente R$ 2,4 bilhões para a Vibra, reforçando a liderança da companhia entre as distribuidoras de combustíveis.
Ultrapar também deve registrar trimestre sólido
Para a Ultrapar, a projeção aponta EBITDA consolidado de R$ 3,7 bilhões, representando crescimento de 58% frente ao trimestre anterior e de 149% na comparação anual. O lucro líquido esperado é de R$ 1,8 bilhão.
A Ipiranga deverá liderar os resultados do grupo, com EBITDA de R$ 2,8 bilhões e margem de R$ 453 por metro cúbico, refletindo um ambiente igualmente favorável para o segmento de distribuição de combustíveis.
As demais unidades de negócios também devem contribuir positivamente. A Ultragaz tende a registrar EBITDA de R$ 471 milhões, sustentado pelo avanço das margens, enquanto a Ultracargo deve apresentar leve retração nas margens apesar da recuperação dos volumes. Já a Hidrovias do Brasil deverá manter desempenho operacional resiliente, mesmo diante das restrições logísticas ainda presentes.
Perspectivas permanecem positivas, mas riscos seguem no radar
Segundo o relatório, o cenário permanece favorável para as grandes distribuidoras de combustíveis no curto prazo, especialmente enquanto persistirem as diferenças entre os preços domésticos praticados pela Petrobras e os valores internacionais.
Além disso, a corretora acredita que a perda gradual de participação dos agentes informais pode continuar beneficiando empresas como Vibra Energia e Ultrapar, ampliando a rentabilidade das líderes do setor.
Ainda assim, a instituição ressalta que uma eventual normalização dos preços domésticos, mudanças nas políticas de subsídios ou uma reversão da atual dinâmica competitiva figuram entre os principais riscos capazes de limitar o desempenho das distribuidoras de combustíveis e reduzir o potencial de valorização das ações ao longo dos próximos trimestres.






