O segundo trimestre de 2026 da Usiminas (USIM5) veio acima das expectativas em praticamente todas as linhas, mas a Genial Investimentos alerta que a leitura do resultado exige cautela: parte relevante do desvio positivo não se repetirá nos próximos trimestres.
O Ebitda ajustado somou R$ 761 milhões, superando as estimativas da casa em 15,5%, com margem de 12,4% — 1,6 ponto percentual acima do esperado. O lucro líquido consolidado atingiu R$ 428 milhões, 76% acima das projeções.
“Cerca de metade do beat não é recorrente. Expurgado o item não recorrente, o Ebitda da siderurgia acomoda-se em cerca de R$ 631 milhões — não os 15,5% de desvio da leitura direta”, afirma Luca Vello, analista da Genial Investimentos.
Preço surpreende, custo confirma estimativas
Na siderurgia, a tese de repasse de preços se confirmou — com uma reviravolta na composição. A Genial projetava volume estável em 1.012 quilotoneladas e preço realizado crescendo 2,7% sequencial.
O que veio foi volume de 989 quilotoneladas, 2,3% abaixo do estimado, mas preço de R$ 5.444 por tonelada, alta de 4,6% sequencial. A participação do segmento automotivo no mix saltou de 33% para 37,7%, e ainda assim o preço médio subiu — os reajustes à distribuição e à indústria sobrepujaram o desconto dado ao automotivo.
“A receita da siderurgia saiu cravada em R$ 5.384 milhões — desvio de apenas 0,04% ante o estimado —, de forma que o desvio não reside no que modelamos, mas em linhas abaixo dele”, explica Vello.
No custo, a aderência foi quase integral: o custo dos produtos vendidos por tonelada ficou em R$ 4.738, ante estimativa de R$ 4.741 — desvio de apenas 0,1%. A conclusão do Projeto PCI no Alto-Forno 3 de Ipatinga confirmou o início da captura de ganhos de eficiência.
Mineração decepciona pelo custo do volume adicional
Na mineração, o resultado ficou abaixo do esperado, mas por razão específica. O volume de vendas atingiu 2.469 quilotoneladas, 7,3% acima da estimativa, mas o Ebitda ajustado recuou para R$ 71 milhões, 6,6% abaixo do projetado e queda de 36% sequencial, com margem de 8,2%.
O problema foi que o volume adicional se concentrou em exportações — com alta de 37% sequencial —, rota que arca com o frete marítimo. O preço realizado caiu 12,5% sequencial, enquanto o custo por tonelada cedeu apenas 2,6%.
“A direção da tese estava correta; a magnitude foi subestimada”, pondera Vello.
O frete da rota C3 atualmente representa cerca de 33% do preço de referência global do minério de ferro — aproximadamente 10 pontos percentuais acima da média histórica recente —, e deve seguir pressionando os resultados da mineração no terceiro trimestre de 2026.
Capex cortado e preço-alvo revisado para cima
Em paralelo ao resultado, a Usiminas divulgou fato relevante reduzindo o guidance de Capex para 2026 de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão para R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão.
“O novo teto é o antigo piso, e o primeiro semestre de 2026, em R$ 608 milhões, anualiza cerca de R$ 1,22 bilhão — escrevemos que o Capex ficaria no piso; a companhia o formalizou abaixo dele”, destaca o analista.
Com base nessa revisão, a Genial elevou o preço-alvo da Usiminas de R$ 8 para R$ 8,50, mas manteve a recomendação de manter.
“O trimestre não reprecifica a tese: metade do beat não se repete. O verdadeiro prêmio do case permanece adiante — a decisão de antidumping sobre o hot-rolled, prevista para dezembro de 2026, e a normalização dos estoques de importados —, e é ele, não este trimestre, que justificaria elevação de recomendação”, conclui Luca Vello.






