As ações da Motiva (MOTV3) sobem cerca de 4% nesta quinta-feira (30), após a companhia divulgar resultados expressivos no segundo trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado somou R$ 663 milhões, alta de 67% na comparação anual, 7,2% acima das estimativas do Safra e 22,5% acima do consenso de mercado.
O desempenho reflete uma melhora operacional consistente, com expansão de margens em todos os segmentos de negócio da companhia.
O Ebitda ajustado — excluindo aeroportos — avançou 29,1% anual para R$ 2,45 bilhões, 2,7% acima das estimativas do Safra, com margem de 65,4% — expansão de 4,3 pontos percentuais na comparação anual.
Com base nas estimativas atuais, a Motiva negocia a uma TIR (Taxa Interna de Retorno) real de 11,9%, oferecendo spread de 382 pontos-base sobre as NTN-Bs de 2037, que rendem 8,09% ao ano.
Pedágios e mobilidade puxam receita
A receita líquida ajustada cresceu 20,5% anual para R$ 3,74 bilhões no segundo trimestre de 2026. No segmento de pedágios, a receita avançou 26,9% anual para R$ 2,54 bilhões, sustentada pelo crescimento de 43,6% no tráfego total — reflexo da incorporação das novas concessões PR Vias, Sorocabana e Minas_SP.
O tráfego comparável cresceu 3,8% anual, e as tarifas comparáveis médias subiram 4,1% anual. Esses avanços foram parcialmente compensados pelo encerramento da concessão ViaOeste.
No segmento de Ativos de Mobilidade, a receita cresceu 9,4% anual para R$ 1,1 bilhão, impulsionada pela alta de 50% anual na receita de ativos financeiros — que atingiu R$ 273 milhões, principalmente pelo impacto do Termo Aditivo nº 10 na ViaQuatro — e pelo avanço de 5,8% anual na receita tarifária, para R$ 706 milhões.
Esses fatores foram parcialmente compensados pela queda de 29,8% anual na receita de mitigação, que totalizou R$ 87 milhões no trimestre.
Margem se expande em todos os segmentos
A expansão de margens foi o principal motor do resultado. No segmento ferroviário, a margem Ebitda avançou 5,4 pontos percentuais anual para 63,5%, beneficiada por receitas tarifárias e de ativos financeiros mais elevadas, combinadas a uma estrutura de custos mais eficiente.
As despesas com pessoal recuaram 9,4% anual para R$ 184 milhões, e as despesas com serviços de terceiros caíram 11,8% anual para R$ 112 milhões.
Nos pedágios, a margem Ebitda avançou 1,6 ponto percentual anual para 78,7%, apoiada pelo encerramento da ViaOeste — que havia registrado Ebitda negativo de R$ 46 milhões no segundo trimestre de 2025 —, pela aceleração das concessões PR Vias e Pantanal e pelo desempenho robusto do portfólio de concessões maduras.
Lucro cresce com capitalização de juros
O lucro líquido ajustado de R$ 663 milhões foi impulsionado pela melhora operacional e por um efeito favorável na linha financeira. As despesas financeiras líquidas cresceram apenas 11,1% anual para R$ 803 milhões, apesar do aumento de 20,9% na dívida líquida, que atingiu R$ 33,1 bilhões.
Embora as despesas brutas de juros tenham subido 27,7% anual para R$ 990 milhões em função do maior endividamento, esse impacto foi amplamente compensado pelo salto de 120,7% anual na capitalização de custos de empréstimos, que totalizou R$ 373 milhões — parcela crescente dos juros foi incorporada aos ativos em construção em vez de ser reconhecida no resultado, reduzindo o repasse do maior endividamento para as despesas financeiras líquidas.






