A Intelbras (INTB3) entregou mais um trimestre sólido no segundo trimestre de 2026, com rentabilidade acima das estimativas da XP Investimentos tanto no Ebitda quanto no lucro líquido.
A receita líquida somou R$ 1,15 bilhão, queda de 7,8% na comparação anual, mas alta de 3,5% sequencial e 1,2% acima da projeção da XP.
O Ebitda atingiu R$ 169 milhões, alta de 9,4% anual e 9,7% acima das estimativas da casa. O lucro líquido chegou a R$ 158 milhões, avanço de 16,1% anual e 5,2% acima do esperado.
“A Intelbras continua sendo uma das melhores histórias de execução da nossa cobertura, voltando a entregar rentabilidade acima das expectativas com disciplina em custos e alocação de capital“, afirmam Bernardo Guttmann e Luis Chagas, analistas da XP Investimentos.
Margem bruta surpreende e Ebitda acelera
O principal destaque positivo do trimestre foi a margem bruta, que atingiu 33,1% — expansão de 3,75 pontos percentuais anual e 2,78 pontos percentuais acima da estimativa da XP.
O resultado foi beneficiado por preços baseados em custos de reposição, mix favorável de produtos e efeitos positivos de AVP, que mais do que compensaram o cenário de receitas mais fraco.
As despesas operacionais vieram praticamente estáveis na comparação anual, com alta de 12,6% sequencial.
Como resultado, a margem Ebitda atingiu 14,7%, 1,1 ponto percentual acima da estimativa da XP, expansão de 2,3 pontos percentuais anual e de 0,6 ponto percentual sequencial.
“Esse é mais um trimestre de melhora sequencial nas margens, reforçando a consistência de execução da companhia”, destacam Guttmann e Chagas.
O segmento de Segurança permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro trimestre de 2026 e segue como um dos principais vetores estruturais de rentabilidade. ICT cresceu 7% anual, enquanto Energia recuou 13,5%, reflexo da estratégia deliberada de priorizar rentabilidade em detrimento de volume.
Caixa forte e ROIC em alta
A geração de caixa também foi destaque no trimestre. O fluxo de caixa operacional somou R$ 318 milhões, sustentado por capital de giro saudável, com evolução favorável de estoques e contas a pagar. Com foco em alocação eficiente de capital, o ROIC atingiu 18,8% — avanço de 1,1 ponto percentual sequencial.
“O ROIC é um dos indicadores mais importantes da tese de investimento da Intelbras em nossa visão, e o avanço sequencial reforça a qualidade da alocação de capital da companhia”, ressaltam os analistas da XP.
Com forte execução e negociando a múltiplo atrativo de 7 vezes o P/L, a XP reitera recomendação de compra para o papel.
Margens devem normalizar no segundo semestre
Apesar do trimestre positivo, a XP aponta que o próximo tema de discussão entre investidores será a trajetória das margens no segundo semestre de 2026.
A própria administração da Intelbras reconheceu que parte da recente força das margens decorre de fatores temporários, sinalizando normalização gradual à medida que custos mais elevados de insumos avancem para os estoques.
“Não vemos isso como uma mudança na tese de investimento, mas sim como o próximo tema relevante para os investidores”, concluem Guttmann e Chagas.
Na visão da XP, a transparência da gestão ao comunicar esse risco é positiva e reforça a credibilidade da companhia com o mercado.






