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BBI vê piora do crédito já precificada no Nubank (ROXO34) e eleva preço-alvo da fintech

BBI vê piora do crédito já precificada no Nubank (ROXO34) e eleva preço-alvo da fintech

Banco projeta inadimplência e despesas maiores, mas lucro de US$ 4,2 bilhões em 2026 e valuation abaixo da média histórica sustentam compra

A expectativa de piora na qualidade da carteira de crédito e de aumento das despesas recomenda cautela com o Nubank (ROXO34) no curto prazo. Para o Bradesco BBI, contudo, esses riscos já estão refletidos na cotação, enquanto o potencial de crescimento dos lucros e o desconto em relação à média histórica sustentam a recomendação de compra.

O banco elevou o preço-alvo do BDR de R$ 14,50 para R$ 15,50 ao final de 2027. O novo valor representa potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação ao target price adotado pelo relatório do banco. 

A revisão ocorreu mesmo após o BBI adotar premissas mais conservadoras para o crédito. O banco elevou as projeções para o índice de ativos classificados no estágio 3, reduziu as estimativas para a carteira e incorporou despesas operacionais maiores. Ainda assim, aumentou as previsões de lucro líquido para 2026 e 2027.

“Embora o cenário recomende cautela no curto prazo, principalmente diante da expectativa de piora da qualidade dos ativos e de maiores despesas, entendemos que esses riscos já estão amplamente refletidos no preço das ações”, avaliou o Bradesco BBI.

As duas formas de exposição ao Nubank apresentavam valorização no pregão desta quarta-feira (26). Por volta das 11h15, o BDR ROXO34 avançava 1,95% na B3, cotado a R$ 13,10. Em Nova York, os papéis do Nubank subiam 0,66%, para US$ 15,24, por volta das 10h30 no horário local.

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Considerando a cotação de R$ 13,10, o preço-alvo de R$ 15,50 indicava potencial de valorização próximo de 18,3%.

Desenrola ainda ajuda o Nubank, mas efeito perde força

O Nubank deverá continuar recebendo benefícios do programa Desenrola no terceiro trimestre, embora em intensidade menor. O BBI destacou a desaceleração das operações em julho e agosto e o encerramento do programa nesta semana.

O banco estima que aproximadamente US$ 150 milhões em créditos renegociados durante o segundo trimestre tenham elevado em cerca de 4 pontos percentuais a formação de ativos classificados no estágio 3. O efeito também teria acrescentado 1 ponto percentual ao índice de estágio 3 e contribuído com aproximadamente US$ 160 milhões para a recuperação de créditos.

O estágio 3 reúne operações que apresentam sinais mais relevantes de perda de qualidade, como atrasos prolongados. Por isso, o avanço desse indicador aumenta a necessidade de provisões e pode pressionar o resultado das instituições financeiras.

Sem os efeitos do Desenrola, o índice de estágio 3 dos empréstimos pessoais teria ficado em 7,3%, abaixo dos 8,3% reportados pelo Nubank. A formação de novos créditos classificados nessa categoria teria alcançado 22,9%, em vez dos 27% divulgados.

“Aproximadamente quatro quintos do impacto esperado do programa já foram reconhecidos no segundo trimestre, ficando a parcela restante para o trimestre atual”, destacou o BBI.

Para o terceiro trimestre, o banco projeta aproximadamente R$ 350 milhões em novas operações relacionadas ao Desenrola, abaixo dos cerca de R$ 800 milhões registrados no trimestre anterior. O benefício estimado sobre o custo de risco líquido é de US$ 37 milhões.

BBI eleva projeções para ativos problemáticos

Embora o Desenrola tenha afetado os indicadores reportados, o BBI também passou a trabalhar com uma deterioração estruturalmente maior da qualidade da carteira. A projeção para o índice de estágio 3 subiu para 8,7% em 2026 e 9,3% em 2027.

Ao mesmo tempo, o banco reduziu suas estimativas para o tamanho da carteira de crédito em 4% para 2026 e 3% para 2027. As alterações sugerem uma postura mais cautelosa em relação ao ritmo de expansão e à capacidade de manter a inadimplência controlada.

As despesas operacionais representam outro ponto de atenção. Após gastos gerais, administrativos e de marketing acima das expectativas, o BBI passou a projetar índice de eficiência de 20,1% em 2026, com estabilidade nesse nível em 2027.

Quanto menor o índice de eficiência, melhor é a relação entre os custos operacionais e a receita de uma instituição financeira. A projeção indica que o crescimento das despesas poderá limitar parte dos ganhos de escala esperados para o Nubank.

Como contraponto, o banco incorporou uma margem financeira ajustada ao risco mais elevada, próxima de 12% durante o segundo semestre. A melhora nesse indicador ajudaria a compensar o aumento das provisões e dos gastos operacionais.

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Lucro maior e desconto sustentam compra

Mesmo com as premissas mais conservadoras para crédito e despesas, o BBI elevou em 4,6% sua projeção para o lucro antes dos impostos do Nubank em 2026. Para 2027, o aumento foi de 4,3%.

As estimativas para o lucro líquido cresceram 3,4% e 4,3%, respectivamente. O banco agora espera que o Nubank registre lucro de US$ 4,2 bilhões em 2026 e de US$ 5,3 bilhões em 2027.

O desconto das ações completa a tese. Segundo o relatório, o Nubank negocia por 13,8 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média histórica de 21 vezes.

“O Nubank negocia a 13,8 vezes o lucro estimado para 2027, abaixo da média histórica de 21 vezes, mantendo um valuation atrativo mesmo após incorporarmos maior necessidade de provisões e uma qualidade de crédito mais fraca”, afirmou o Bradesco BBI.

Além do benefício remanescente do Desenrola, o banco identifica três possíveis fontes de surpresa positiva: avanços na expansão do Nubank no México, os primeiros indicadores da operação nos Estados Unidos e uma aceleração do crédito consignado privado.

Esses fatores ainda podem elevar as estimativas, principalmente para 2027 e 2028. O desempenho da carteira de crédito, entretanto, continuará sendo o principal teste da tese.