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Compass (PASS3) precifica IPO e movimenta R$ 3,2 bi em estreia que quebra jejum de 5 anos na B3

Compass (PASS3) precifica IPO e movimenta R$ 3,2 bi em estreia que quebra jejum de 5 anos na B3

Operação 100% secundária permite à Cosan (CSAN3) avançar em desalavancagem; XP destaca estratégia do sindicato para ancorar oferta em mercado tensionado

A Compass precificou na quinta-feira (7) seu IPO em R$ 28 por ação, no piso da faixa indicativa que ia até R$ 35, conforme divulgou o Valor Econômico. O valor movimentado foi de cerca de R$ 3,2 bilhões considerando os lotes base, suplementar e adicional.

A oferta encerra um período de quase cinco anos sem novas estreias na B3 ($B3SA3), em uma das maiores secas para aberturas de capital na bolsa brasileira.

A operação foi integralmente secundária, ou seja, os recursos vão para os acionistas vendedores e não para o caixa da companhia. A subsidiária do grupo Cosan (CSAN3) estreará na bolsa na próxima segunda-feira (11), sob o ticker PASS3 e listada no Novo Mercado, segmento de mais alto nível de governança da B3.

Foram vendidas 89,3 milhões de ações na oferta base, totalizando R$ 2,5 bilhões. Os lotes suplementar e adicional acrescentaram R$ 700 milhões ao volume captado, em meio à forte demanda dos investidores. Cerca de 60% da alocação ficou com estrangeiros, dos quais aproximadamente 70% têm perfil de longo prazo.

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Reciclagem na Cosan

Com a oferta, a Cosan reduzirá sua participação na Compass de 88% para 75,4%, podendo recuar a 75,37% caso o lote suplementar seja integralmente exercido. Os recursos permitirão à holding seguir avançando em sua agenda de desalavancagem, em um momento em que o grupo também lida com a recuperação extrajudicial da Raízen, que carrega mais de R$ 65 bilhões em dívidas.

A dívida líquida da Cosan já havia recuado de mais de R$ 30 bilhões antes da venda da participação na Vale para cerca de R$ 10 bilhões no momento atual, ainda sem considerar o aporte do IPO.

Os fundos Bradesco Seguros, Atmos Capital, Brasil Capital, Prisma e Núcleo, que juntos detinham 12% do capital, também atuaram como vendedores. No agregado, essas casas alienaram cerca de metade de suas posições e ficarão com aproximadamente 6% da companhia. Prisma e Núcleo não venderam ações, enquanto a Atmos restringiu a alienação à posição dos veículos de coinvestimento estruturados para maturar no IPO.

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Mercado ardiloso

O lançamento ocorreu em cenário externo desafiador, marcado pela volatilidade decorrente da guerra no Irã. Diante desse contexto, o sindicato de bancos coordenadores optou por estratégia de mitigação de risco, lançando a oferta integralmente coberta e ancorada por entre 10 e 12 investidores institucionais.

“A gente ‘de-risked’ o deal pra ele sair bem colocado”, afirmou um banker do sindicato ao Brazil Journal.

A decisão de ancorar 100% da oferta foi considerada prudente em um cenário em que mercados aquecidos costumam permitir ancoragens de apenas 30% a 40%, mas em que a volatilidade externa exigia maior margem de segurança para garantir a execução mesmo em caso de deterioração das condições.

A Compass estreará avaliada em aproximadamente R$ 20 bilhões, montante 21% superior ao da rodada privada realizada em 2021, quando a empresa havia sido precificada em R$ 16,5 bilhões. No intervalo entre as duas operações, a companhia distribuiu cerca de R$ 8 bilhões em dividendos e redução de capital aos acionistas.

A oferta foi coordenada por BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JP Morgan, XP, BNP Paribas e UBS BB.