O crédito proprietário pode ser o próximo grande vetor de crescimento do Mercado Livre (MELI34). É o que defende o BTG Pactual em relatório que abre uma série de análises sobre temas menos discutidos da tese da companhia. Os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon modelaram o impacto do crédito sobre o GMV e concluíram que o potencial de monetização ainda está longe de ser esgotado.
Os papeis do Mercado Livre têm queda de aproximadamente 17% em 2026. A recomendação do banco é de compra, com um preço-alvo de US$ 2.700 para os ativos em Nova York. O valor corresponde a um potencial de valorização de cerca de 50%.
“Enquanto reconhecemos que a maioria das discussões de curto prazo sobre o Mercado Livre se concentra na competição no Brasil e no efeito sobre as margens, buscamos oferecer tópicos adicionais que têm pautado conversas com investidores”, explicam os analistas.
O ponto de partida é a escala já alcançada. O Mercado Livre encerrou 2025 com receita líquida de US$ 29 bilhões — crescimento de 39% na comparação anual — e GMV de US$ 65 bilhões, com 83 milhões de compradores únicos no quarto trimestre e mais de 120 milhões em base anual.
Crédito: muito espaço para crescer
Apesar da escala do ecossistema financeiro, a penetração do crédito ainda é baixa. O Mercado Pago atingiu 78 milhões de usuários ativos mensais no quarto trimestre de 2025 — praticamente o mesmo número de compradores do marketplace no período. Já os usuários de crédito somam pouco mais de 25 milhões.
“Estimamos que cerca de 10% dos compradores do Mercado Livre têm acesso a crédito, com aproximadamente 15% do GMV financiado com crédito proprietário, destacando tanto a contribuição atual quanto o espaço significativo para maior monetização.”
Isso contrasta com a penetração de crédito no lado dos vendedores, que já chegou a 35%. A carteira de crédito total atingiu US$ 12,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, ante US$ 6,6 bilhões um ano antes — expansão de 89% na comparação anual.

Crédito acelera GMV e monetização
O impacto vai além da receita financeira direta. O BTG estima que usuários com acesso a crédito geram entre 1,5 vez e 2 vezes mais GMV do que compradores sem crédito.
“O crédito deve ser visto não apenas como uma ferramenta de monetização, mas como um motor central de crescimento do marketplace.”
A implicação para a receita é relevante. A taxa de monetização de comércio do Mercado Livre ficou em 25,1% em 2025. Com o crédito, entra em cena uma camada adicional de receita via juros e spreads financeiros.
“Um aumento de 10 pontos percentuais na penetração de crédito poderia gerar aproximadamente US$ 6,5 bilhões em GMV incremental”, projetam Guanais, Cesquim e Cendon.
“Com mais de 120 milhões de compradores e uma carteira de crédito em rápida expansão, a próxima fase de crescimento do Mercado Livre provavelmente será impulsionada pela conversão de usuários de pagamento existentes em usuários de crédito”, concluem os analistas.
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