Educação: O que esperar dos resultados no 1º trimestre?
Primeiro trimestre de 2026 deve oferecer os primeiros sinais claros do novo marco regulatório em prática, com restrições a cursos como enfermagem e pedagogia no formato EaD
O setor de educação deve registrar um primeiro trimestre de 2026 sólido em geração de caixa e desalavancagem, com os primeiros sinais visíveis do novo marco regulatório sobre volumes e mix das companhias. A avaliação é dos analistas Samuel Alves e Maria Resende, do BTG Pactual, que apresentaram prévia da temporada de resultados do setor.
“O trimestre deve reforçar o padrão recente de crescimento de receita ainda positivo, geração de caixa resiliente e disciplina de balanço continuada”, afirmam os analistas — destacando que o primeiro trimestre é sazonalmente mais forte para o fluxo de caixa por conta do ciclo de matrículas e rematrículas.
Marco regulatório remodela o setor
O ponto de maior atenção neste trimestre é a estreia do novo marco do ensino superior em prática. O primeiro semestre de 2026 é o primeiro ciclo de captação integralmente sob as novas regras, que proíbem determinados cursos — como enfermagem e pedagogia — no formato de ensino a distância.
“O primeiro trimestre de 2026 deve oferecer os primeiros sinais claros do novo marco regulatório na prática, com restrições de formato começando a remodelar volumes e mix“, destacam Alves e Resende.
No campo dos volumes, a dinâmica é heterogênea. O ensino presencial cresce em dígito médio ou está estável, a modalidade híbrida avança com força e o EaD tradicional recua em ritmo de dois dígitos altos.
“Os resultados ainda variam dependendo da exposição de cada empresa a esses segmentos, com volumes mais fracos em EaD parcialmente compensados por desempenho mais robusto em cursos de medicina e ofertas premium”, avaliam os analistas.
Contudo, o impacto completo da transição ainda levará tempo para se materializar. “Os resultados reportados ainda se beneficiam de turmas antigas matriculadas sob o marco anterior”, ressaltam Alves e Resende.
Caixa forte e desalavancagem continuam
Na parte financeira, as projeções seguem construtivas. A receita líquida consolidada deve chegar a R$ 7,6 bilhões — alta de 11% anual —, com Ebitda ajustado de R$ 2,7 bilhões, avanço de 7%. A margem Ebitda deve recuar 1,3 ponto percentual para 35,5%, refletindo os primeiros efeitos do mix menos favorável. O lucro líquido, contudo, deve crescer 12% — acima do Ebitda —, beneficiado por menor alavancagem e custo de dívida mais baixo.
“Permanecemos construtivos na relação risco-retorno do setor de educação, sustentados pelo contínuo reparo do balanço, forte geração de caixa e alocação de capital ainda disciplinada”, concluem os analistas, que elegem Vitru (VTRU3), Cogna (COGN3) e Ânima (ANIM3) como destaques do trimestre e mantêm Laureate (LAUR) como principal escolha para investidores com foco em América Latina.
Veja as expectativas:
Fonte: BTG Pactual – Dados da Laureate em dólares
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