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Com boas perspectivas pela frente, IRB deve ampliar dividendos

Com boas perspectivas pela frente, IRB deve ampliar dividendos

A política de capital da companhia está ancorada em um alvo de solvência em torno de 250%, patamar acima do qual as exigências de capital se tornam menos restritivas

O ano de 2026 promete ser positivo para o IRB Brasil Re (IRBR3), inclusive com maior espaço para pagamento de dividendos aos acionistas. Isso porque a política de capital da companhia está ancorada em um alvo de solvência em torno de 250%, patamar acima do qual as exigências de capital se tornam menos restritivas. Os dados estão em um relatório do BTG Pactual (BPAC11) sobre a resseguradora e aponta recomendação de compra e preço-alvo de R$ 60.

“Com a expectativa de continuidade da elevação da solvência, há a possibilidade de novas distribuições de capital excedente para manter o índice próximo desse nível. No curto prazo, a administração indicou um payout iminente de 25% e sinalizou a possibilidade de reavaliar distribuições extraordinárias no segundo semestre de 2026, a depender da evolução do capital e das expectativas de mercado”, revela o relatório do BTG.

Do ponto de vista estratégico, de acordo com o BTG, o IRB continua se posicionando como a principal plataforma de resseguros no Brasil e na América Latina, com valor de mercado em torno de US$ 850 milhões, ainda considerado modesto frente ao seu potencial de geração de resultados no longo prazo e à sua relevância estratégica no ecossistema regional de seguros.

“Com uma visão clara de longo prazo, maior retenção de riscos, índices de sinistralidade relativamente estáveis, ganhos relevantes de eficiência em despesas administrativas, monetização de ativos fiscais diferidos, maior contribuição do resultado financeiro e crescimento da geração de caixa — fatores que sustentam a perspectiva de dividendos recorrentes e potencialmente mais elevados, além de diversas opcionalidades embutidas — mantemos uma visão construtiva sobre a ação e seguimos vendo a IRBR3 como uma relação risco-retorno atrativa dentro do setor de seguros brasileiro”, ressaltou o banco de investimentos.

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Analistas do BTG estiveram reunidos com o CEO do IRB, Marcos Falcão, com a diretora de Relações com Investidores, Natasha Nakagawa. De forma geral, a administração apresentou o IRB como uma companhia que já deixou para trás a fase mais crítica de sua reestruturação e passa a entrar em um estágio no qual a opcionalidade se torna o principal elemento da tese de investimento.

IRB espera lucro líquido maior para o ano

Segundo o relatório do BTG, a administração reiterou confiança na entrega de lucro líquido maior para este ano, após cerca de R$ 474 milhões nos últimos doze meses até setembro do ano passado. No entanto, na reunião, a administração foi transparente ao indicar que grande parte da evolução em relação a 2025 ainda deve vir de receitas financeiras, ganhos de eficiência de capital e normalização de efeitos de legado, e não do crescimento de prêmios.

“Um ponto relevante é que aproximadamente 40% do caixa do IRB está alocado no exterior, onde as taxas de reinvestimento são estruturalmente inferiores ao CDI, o que limita a transmissão direta do elevado nível de juros domésticos para o resultado financeiro consolidado”, ressalta o relatório.

Ainda assim, a administração ressaltou que o balanço permanece bastante sólido e que os resultados financeiros devem continuar sendo um dos principais motores de lucro, à medida que a dívida é reduzida e as condições de reinvestimento evoluem gradualmente.

Receita ainda pressionada

Apesar das iniciativas estratégicas, a administração informou que o crescimento de prêmios segue como o principal gargalo, especialmente no Brasil. A avaliação é de que o mercado doméstico de resseguros oferece crescimento estrutural limitado no curto prazo.

Ainda assim, a expectativa é de que os prêmios internacionais cresçam mais do que os brasileiros ao longo do ano. Atualmente, os negócios no exterior representam cerca de 35% da exposição total, uma proporção superior à divulgada anteriormente pela companhia em 2023 e 2024, refletindo oportunidades internacionais melhores do que o inicialmente esperado.

“A administração também mencionou pressão recente sobre participação de mercado no Brasil, incluindo menor presença no portfólio agro, reforçando a visão de que o crescimento de volumes deve permanecer moderado no mercado doméstico, mesmo com melhora da rentabilidade”, informou.

Matching

O CEO do IRB também detalhou na reunião, o recém-aprovado programa de matching de ações para a administração, desenhado para reforçar o alinhamento de longo prazo dos executivos seniores.

Pelo novo modelo, o IRBR3 se compromete a igualar o investimento em ações feito pela gestão por meio da compra de papéis no mercado, na proporção de 2 para 1, ou seja, para cada ação adquirida pelo executivo, a companhia concederá duas ações. O componente de matching terá períodos de vesting de três e cinco anos, com metas de desempenho que incluem indicadores individuais e corporativos.

Segundo o relatório do BTG, a administração enfatizou, no entanto, que o programa não será dilutivo para os acionistas, pois será financiado por recompra de ações, e não por emissão. A autorização atual permite o uso de até 5% do total de ações para esse fim. Após programas-piloto com a alta gestão, a implementação em maior escala está prevista para março de 2026, abrangendo cerca de 30 executivos.

O documento diz ainda que, com as restrições contábeis relacionadas a prejuízos acumulados já superadas, a mensagem central foi de que a geração estrutural de caixa tende a pressionar por pagamentos maiores aos acionistas, a menos que o capital seja claramente direcionado para iniciativas de crescimento rentáveis a partir de 2027.

Safra: possibilidade de crescimento do lucro, mas recomendação neutra

Por sua vez, relatório do banco Safra analisou que os índices de sinistralidade e combinado, em base LTM, reverteram a tendência de queda observada até o mês passado, com prêmios ainda fracos voltando a pressionar a capacidade da companhia de diluir despesas. O banco destacou que os prêmios emitidos no Brasil foram o principal fator negativo em novembro. Com isso, o Safra tem recomendação neutra, com preço-alvo a R$ 61.

O documento ressalta que, embora o dado mensal deva ser analisado com cautela, dada sua volatilidade, o banco aponta que ele pode frustrar parte das expectativas dos investidores, em função da base de comparação elevada em outubro e do desempenho recente das ações.

“Ainda assim, entendemos que o IRB pode entregar um trimestre razoável, já que o lucro líquido tem alta probabilidade de crescer de forma sequencial, e o resultado do ano cheio deve ficar na faixa entre R$ 500 milhões e R$ 520 milhões. Olhando para 2026, a linha de receita segue sendo o principal ponto de atenção”, diz parte do relatório, assinado pelos analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre.

Em novembro do ano passdo, o IRB registrou lucro líquido de R$ 27 milhões, com os resultados de subscrição voltando a apresentar um ritmo mais fraco. Os prêmios emitidos totais (GWP) recuaram 20% na comparação anual, puxados pela forte contração dos prêmios no Brasil (-37% ano a ano), enquanto os prêmios internacionais avançaram 54% no mesmo período. O índice de retrocessão ficou em 22%, praticamente estável na comparação anual, o que levou a uma queda de 10% ano a ano nos prêmios ganhos retidos.

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