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Empresas de saúde enfrentam pressão com avanço das ações judiciais

Empresas de saúde enfrentam pressão com avanço das ações judiciais

A avaliação é do Bradesco BBI, após a divulgação dos dados mais recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

As empresas de saúde, especialmente as operadoras de planos de saúde, podem continuar enfrentando pressão sobre seus resultados nos próximos trimestres diante do avanço da judicialização do setor. A avaliação é do Bradesco BBI, após a divulgação dos dados mais recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que mostram uma aceleração no número de novas ações relacionadas à saúde suplementar.

Segundo o levantamento, o volume de processos ajuizados em primeira instância e nos juizados especiais cíveis cresceu 35% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado representa uma aceleração em relação aos 33% registrados em abril e reforça uma tendência de alta observada ao longo de 2026.

Para o Bradesco BBI, o cenário tem impacto ligeiramente negativo para as operadoras do setor, como a Hapvida e a SulAmérica, uma vez que o aumento das disputas judiciais tende a elevar os custos com contingências e provisões.

“As provisões para contingências cíveis provavelmente continuarão pressionando os resultados no curto prazo”, destacaram os analistas.

Crescimento das ações segue sendo revisado para cima

Outro fator que chama atenção dos analistas é o histórico recente de revisões nos dados divulgados pelo CNJ. Os números iniciais vêm sendo ajustados para patamares ainda mais elevados à medida que novas informações são consolidadas.

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Em abril, por exemplo, o crescimento anual inicialmente reportado em 25% foi revisado para 33%. Já os dados de março passaram de uma alta de 41% para 46%.

Na avaliação do Bradesco BBI, esse padrão sugere que os números de maio também podem ser revisados para cima nos próximos meses, indicando que a judicialização pode estar avançando em ritmo ainda mais forte do que o observado atualmente.

Segundo trimestre mostra aceleração

Os dados acumulados do segundo trimestre reforçam essa tendência, segundo o relatório. Até maio, o número de novas ações relacionadas à saúde suplementar apresenta crescimento de 34% na comparação anual. O percentual supera os 24% registrados durante o primeiro trimestre de 2026, evidenciando uma aceleração do fenômeno.

O aumento da judicialização tem sido uma das principais preocupações das operadoras nos últimos anos. As ações geralmente envolvem pedidos de cobertura de tratamentos, medicamentos, procedimentos médicos e disputas relacionadas a contratos de planos de saúde.

Quando as decisões judiciais são favoráveis aos beneficiários, as empresas podem ser obrigadas a arcar com custos não previstos originalmente em seus cálculos atuariais, afetando a rentabilidade das operações.

Pressão sobre resultados permanece no radar do mercado

A intensificação das ações judiciais ocorre em um momento em que as empresas de saúde ainda trabalham para recompor margens após um período de forte pressão de custos médicos e hospitalares.

Nos últimos trimestres, parte das operadoras conseguiu mostrar melhora nos indicadores operacionais graças a reajustes de preços, ganhos de eficiência e controle mais rigoroso da sinistralidade. No entanto, o avanço da judicialização representa um fator de risco adicional para o setor.

Para investidores, a evolução desses processos segue sendo um dos principais pontos de atenção na análise das companhias de saúde suplementar, uma vez que o aumento das provisões judiciais pode reduzir a geração de caixa e limitar a recuperação dos lucros.

Embora o Bradesco BBI classifique o impacto atual como apenas “ligeiramente negativo”, a continuidade da aceleração observada nos dados do CNJ pode manter a pressão sobre os resultados das operadoras ao longo dos próximos meses, especialmente em empresas mais expostas ao segmento de planos de saúde.

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