A C&A (CEAB3) divulgou resultados considerados sólidos no 1TRI26, com destaque para a recuperação da operação de vestuário e melhora da margem bruta. Segundo análise da XP Investimentos, o desempenho da varejista superou as expectativas do mercado em pontos importantes, especialmente após um quarto trimestre de 2025 marcado por dificuldades operacionais e ruptura de produtos de entrada.
No 1TRI26, a companhia conseguiu ajustar sua estratégia comercial e melhorar a transição entre coleções, fator que contribuiu para um crescimento de 4,8% nas vendas mesmas lojas (SSS) da divisão de vestuário. A XP destacou ainda que as tendências de vendas melhoraram ao longo do trimestre, sinalizando recuperação gradual da operação principal da varejista.
Recuperação do vestuário impulsiona desempenho da C&A
A principal surpresa positiva do resultado da C&A no 1TRI26 veio da margem bruta de vestuário. A divisão apresentou expansão de 0,9 ponto percentual, resultado acima do esperado pelos analistas da XP. De acordo com o relatório, a melhora foi sustentada por iniciativas promocionais mais estratégicas, maior assertividade na escolha de produtos e crescimento das vendas a preço cheio.
Outro fator relevante foi a antecipação das coleções de meia-estação após o Carnaval, o que ajudou a elevar a demanda nas lojas físicas. As vendas líquidas consolidadas da companhia ficaram praticamente estáveis, com avanço de 0,4% na comparação anual, mesmo diante dos impactos negativos relacionados à desmobilização da operação de eletrônicos e à redução das receitas financeiras da C&A Pay.
As vendas online também ganharam força no 1TRI26. O e-commerce acelerou para crescimento de 30% na comparação anual, acima dos 12% registrados no trimestre anterior. Com isso, a participação digital passou a representar 7% das vendas totais da companhia.
Margens avançam, mas geração de caixa segue pressionada
Apesar da melhora operacional, a margem EBITDA ajustada da C&A recuou 0,8 ponto percentual no 1TRI26. Segundo os analistas, o resultado foi pressionado pela desalavancagem operacional e pelo aumento das despesas com ocupação e logística.
Ainda assim, o lucro líquido ajustado somou R$ 13 milhões, desempenho acima das projeções da XP. A melhora operacional no segmento de vestuário e a redução das despesas financeiras contribuíram para o resultado positivo do trimestre.
Por outro lado, o fluxo de caixa livre permaneceu negativo em R$ 173 milhões. O resultado foi impactado pelo aumento do capex, reflexo da expansão da companhia, além de uma dinâmica mais pressionada de capital de giro. A C&A também ampliou investimentos em automação logística e no novo centro de distribuição do Nordeste.
Recompra de ações e estratégia fortalecem visão positiva
Entre os destaques do 1TRI26, a C&A anunciou um novo programa de recompra de ações de até 10 milhões de papéis, equivalente a aproximadamente 5% do free float da companhia. A medida foi recebida de forma positiva pelo mercado e reforçou a percepção de confiança da administração na recuperação operacional da empresa.
Além disso, a varejista registrou crescimento de 3,5% nas vendas por metro quadrado, alcançando R$ 2,3 mil. A empresa também realizou uma cessão parcial de recebíveis vencidos, o que contribuiu para recuperação adicional de crédito.
Mesmo diante de um cenário ainda desafiador para o varejo, a XP manteve recomendação de compra para os papéis da C&A. Para os analistas, os resultados do 1TRI26 mostram que a companhia conseguiu recuperar parte da eficiência operacional e fortalecer sua principal frente de negócios, o vestuário.
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