O Itaú Unibanco (ITUB4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, praticamente estável na comparação trimestral e com crescimento de 10,4% frente ao mesmo período de 2025.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 24,8%, acima dos 24,4% registrados no quarto trimestre de 2025. Os resultados foram avaliados por Bradesco BBI e Banco Safra como em linha com as estimativas e sem surpresas relevantes.
Dividendo antecipado distorce lucro
Um fator importante para a leitura correta dos números é o efeito do pagamento antecipado de dividendos ao fim de 2025, que impactou negativamente o capital disponível para geração de resultado no trimestre.
“Desconsiderando esse efeito, o lucro recorrente teria sido de aproximadamente R$ 12,7 bilhões, alta de 3,2% no comparativo trimestral”, apontam os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, do Bradesco BBI.
A carteira de crédito totalizou R$ 1,5 trilhão, com retração de 0,5% no trimestre — movimento explicado pela sazonalidade típica do início do ano — mas alta de 7,2% em bases anuais.
Qualidade dos ativos resiste à deterioração
O ponto mais elogiado pelos analistas foi a resiliência da carteira de crédito.
“O principal destaque continua sendo a qualidade da carteira de crédito, com indicadores ainda bastante saudáveis, apesar da deterioração sazonal típica do início do ano, especialmente entre as pessoas físicas”, avaliam Mizrahi e Chanes.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 1,9%, enquanto as NPLs de 15 a 90 dias subiram 10 pontos-base — em linha com a sazonalidade.
“Em meio às crescentes preocupações com a qualidade de ativos do sistema, o banco demonstrou a disciplina em sua estratégia de apetite a risco implementada nos últimos trimestres”, ressalta Daniel Vaz, analista do Safra.
Receitas de tarifas são o ponto fraco
O principal desvio negativo veio das receitas de tarifas, que ficaram 3% abaixo das estimativas do Safra e caíram 7% na comparação trimestral.
“O principal desvio em relação às nossas expectativas veio de um desempenho mais fraco das receitas de tarifas, refletindo uma desaceleração sequencial na atividade de mercado de capitais, queda nas receitas de pagamentos e tendência de menor contribuição de contas correntes”, explica Vaz.
Em contraste, o volume de adquirência da Rede cresceu 26% no ano, confirmando ganhos consistentes de participação de mercado. “A estabilidade da margem financeira e o controle de despesas reforçam a previsibilidade do resultado recorrente”, avaliam Mizrahi e Chanes, do Bradesco BBI.
Duas casas, mesma recomendação
Tanto Bradesco BBI quanto Safra mantêm recomendação de compra para ITUB4, mas com nuances diferentes. O Bradesco BBI fixa preço-alvo em R$ 45,00, sustentado pelo alto retorno sobre patrimônio e pelo perfil defensivo do banco.
“Não enxergamos mudanças materiais para nossas projeções de 2026”, afirmam Mizrahi e Chanes. O Safra, por sua vez, adota tom mais cauteloso.
“Reiteramos nossa recomendação de Compra, embora com uma visão mais cautelosa sobre as tendências do setor”, pondera Vaz, acrescentando que o papel negocia a 9,0 vezes o lucro estimado para 2026 e 2,3 vezes o valor patrimonial — valuation que segue atrativo para um banco de qualidade comprovada.






