A Tenda (TEND3) apresentou resultados acima das expectativas no primeiro trimestre de 2026, impulsionando a percepção positiva do mercado sobre a companhia. O lucro líquido consolidado ajustado somou R$ 152 milhões no período, superando em 22% as estimativas do Bradesco BBI e em 21% o consenso de mercado, com desempenho puxado principalmente por margens mais elevadas do que o previsto.
A margem bruta consolidada atingiu 33,7%, ficando 2,6 pontos percentuais acima das projeções. O destaque foi o segmento Tenda, cuja margem chegou a 36,2%, também acima do esperado. Já a divisão Alea manteve desempenho negativo, em linha com as expectativas dos analistas.
A receita líquida consolidada alcançou um recorde de R$ 1,18 bilhão no trimestre, representando crescimento de 36,9% na comparação anual e estabilidade frente ao trimestre anterior. No segmento principal, a receita líquida avançou para R$ 1,11 bilhão, alta de 41,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, a Alea registrou receita de R$ 73 milhões, queda de 5,6%, refletindo menor atividade durante seu processo de reestruturação operacional.
O lucro líquido ajustado mais que dobrou na base anual, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) dos últimos doze meses atingiu 49,4%. O endividamento líquido subiu para R$ 325 milhões, com a relação dívida líquida sobre patrimônio (incluindo minoritários) chegando a 23,9%. Segundo a companhia, a alta foi influenciada principalmente pela distribuição de R$ 111 milhões em dividendos e recompras de ações no período.
Tenda mantém forte desempenho operacional, mas custos seguem no radar
No desempenho operacional, os lançamentos totalizaram R$ 1,46 bilhão, crescimento de 59% em base anual. As vendas líquidas atingiram R$ 1,53 bilhão, alta de 41%, enquanto a velocidade de vendas chegou a 28%. O banco de terrenos da companhia alcançou R$ 30 bilhões, com R$ 23 bilhões em valor geral de vendas (VGV).
Apesar da forte surpresa positiva no resultado, analistas mantêm cautela quanto às perspectivas. “Optamos por não revisar nossas estimativas de lucro neste momento, diante das incertezas ainda presentes em relação aos custos de construção”, afirmaram analistas da Ágora Investimentos.
Segundo eles, a companhia apresenta um nível considerado adequado de provisões, equivalente a cerca de 11% dos custos orçados, sendo 7% relacionados à inflação e 4% a contingências, o que tende a limitar riscos relevantes no cenário base.
O Bradesco BBI também destacou a resiliência do resultado, mas reforçou a necessidade de monitoramento.
“Mesmo em um cenário mais adverso, com INCC de 10% e aumento de 5% nos recebíveis pro-soluto pós-entrega, o impacto estimado seria de aproximadamente R$ 20 milhões no lucro líquido, cerca de 3% da nossa projeção para 2026”, apontaram os analistas.
As casas destacam ainda o avanço dos recebíveis pro-soluto, que reflete parcialmente reajustes de preços próximos de 8% na comparação anual, mas que, por ora, não configura uma preocupação relevante.
A recomendação de compra foi reiterada, sustentada por um valuation considerado atrativo, com múltiplo preço/lucro estimado em 3,9 vezes para 2027. Os analistas também projetam crescimento médio anual de 23% no lucro por ação entre 2026 e 2028, além de um dividend yield entre 6% e 9% nos próximos anos.






