A XP Investimentos reiterou a recomendação neutra para as ações da Weg (WEGE3) e reduziu o preço-alvo para R$ 47 por ação para o fim de 2026, após cortar as estimativas de lucro líquido em até 10% abaixo do consenso de mercado.
O relatório, assinado pelos analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, reconhece a solidez da tese de longo prazo da companhia, mas aponta um conjunto de ventos contrários que limitam a assimetria positiva nos níveis de preço atuais.
Câmbio e capacidade travam crescimento em 2026
O principal obstáculo identificado para o ano é a combinação de câmbio desfavorável e gargalos de capacidade produtiva.
“Vemos crescimento mais fraco para 2026, em meio a ventos contrários de câmbio e limitações de capacidade produtiva, empurrando a reaceleração esperada para 2027-28”, explicam Laghi, Urbano e Nippes.
Em termos práticos, embora a XP projete crescimento orgânico de receita de 8% a 9% em 2026, a valorização recente do real reduz esse número para apenas cerca de 3% em reais na base consolidada.
“Os níveis de câmbio spot sugerem crescimento consolidado de apenas cerca de 3% ao ano em termos de reais”, detalham os analistas.
Primeiro semestre pressionado
A dinâmica de lucratividade também preocupa no curto prazo.
“A dinâmica recente de lucratividade introduziu alguma incerteza, com desalavancagem operacional, ventos contrários de câmbio e pressões relacionadas a tarifas seguindo como limitações relevantes”, avaliam os analistas.
A XP revisou suas estimativas para refletir um primeiro semestre de 2026 mais fraco, com recuperação esperada a partir do segundo semestre, sustentada pelo ramp-up da planta de Betim, pela recomposição de preços em andamento e por uma base comparativa mais fácil no segmento solar.
As projeções de lucro líquido ficaram em R$ 6,3 bilhões a R$ 7,3 bilhões para 2026 e 2027, respectivamente — 6% e 10% abaixo do consenso.
Valuation já precifica reaceleração futura
Com múltiplos de 29 vezes o lucro estimado para 2026 e 25 vezes para 2027, a XP avalia que boa parte da recuperação esperada já está incorporada no preço.
“Vemos um valuation menos favorável, com P/L 2026-27 de 29-25x já precificando parte da reaceleração do crescimento de lucros a partir de 2027”, afirmam Laghi, Urbano e Nippes.
Para os analistas, o ponto de entrada mais atrativo estaria em torno de R$ 36 a R$ 38 por ação.
“Estimamos R$ 36-38 por ação como um nível no qual investidores se tornariam mais construtivos em relação ao papel”, indicam.
Longo prazo intacto
Apesar do posicionamento cauteloso no curto prazo, a XP não abandona a confiança na tese estrutural da Weg.
“Continuamos dando à WEG o benefício da dúvida quanto à execução, dado seu amplo histórico de encontrar avenidas alternativas de crescimento apesar de obstáculos de curto prazo”, ressaltam os analistas.
Os principais riscos de alta incluem um re-rating do setor de redes elétricas impulsionado pelo aumento do investimento em infraestrutura de inteligência artificial e um eventual aumento do fluxo de capital estrangeiro para o Brasil.
“Um re-rating do setor e fluxos de investidores estrangeiros para o Brasil oferecem suporte como riscos de upside”, concluem Laghi, Urbano e Nippes.






