A forte deterioração das operações no México foi o principal ponto de preocupação no desempenho da Braskem (BRKM5) no primeiro trimestre de 2026, segundo relatório do BB Investimentos, sobre o relatório de produção e vendas da petroquímica. A unidade registrou queda expressiva na taxa de utilização, que recuou para 55%, uma retração de 30 pontos percentuais na comparação trimestral, enquanto as vendas despencaram 37%.
Por sua vez, o banco Safra também vê cenário desafiador no mercado mexicano. Relatório produzido pelo banco avaliou que os volumes de polietileno caíram 37% frente ao trimestre anterior, ficando 43% abaixo das projeções.
“A retração decorre da menor disponibilidade de produto para venda, em função da queda nas taxas de utilização, impactadas pela redução nas importações de etano e menor fornecimento pela Pemex, em linha com as medidas adotadas pela Braskem Idesa para preservar liquidez”, diz trecho do documento.
Segundo o relatório do BB, o desempenho negativo reflete, sobretudo, a menor disponibilidade de etano — principal insumo da operação —, diante da redução no fornecimento pela Pemex e da limitação nas importações via terminal. Mesmo com spreads mais favoráveis no período, a baixa produção compromete a captura de margens, evidenciando gargalos estruturais que seguem pressionando a operação no país.
Cenário no Brasil
No Brasil, a taxa de utilização avançou para 69%, alta de 10 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, com crescimento de 5% nas vendas de resinas, impulsionado por polietileno (PE) e PVC. Ainda assim, o desempenho segue pressionado na comparação anual, diante da queda nas exportações, aumento das importações e demanda doméstica mais fraca.
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Já nos Estados Unidos e Europa, os dados vieram acima do esperado, com taxa de utilização de 79% e crescimento de 3% nas vendas, sustentados pela retomada da demanda europeia e pela normalização operacional. No entanto, os spreads petroquímicos continuam comprimidos, limitando a rentabilidade.
Primeiro trimestre fraco
Para o banco Safra, a petroquímica deve reportar um primeiro trimestre de 2026 mais fraco, apesar de sinais iniciais de melhora nos spreads. De acordo com relatório da instituição, o desempenho mais pressionado tende a ser explicado pela queda nos volumes de vendas, enquanto o impacto positivo dos spreads mais elevados — impulsionados por tensões geopolíticas — ainda não deve se traduzir de forma relevante nos resultados operacionais.
“O principal fator foi a queda nas exportações, que diminuíram 17% frente ao quarto trimestre, refletindo a priorização do abastecimento do mercado doméstico”, diz trecho do relatório.






