A CPFL (CPFE3) pode ganhar um novo papel estratégico no mercado brasileiro de energia. Segundo relatório do Bradesco BBI, a State Grid, controladora da companhia, demonstrou forte interesse em adquirir a Enel São Paulo e avalia utilizar a CPFL como veículo para a operação, sem expectativa de necessidade de aumento de capital.
O banco também aponta que a State Grid vê oportunidades estratégicas no leilão de baterias de armazenamento de energia (BESS), previsto para o fim do ano. As movimentações reforçam o potencial de expansão da atuação do grupo no setor elétrico brasileiro.
Apesar dessas perspectivas, o Bradesco BBI manteve a recomendação Neutra para as ações da CPFL e estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 53 para o fim de 2027.
Dividendos ajudam a sustentar a tese
Na avaliação do banco, um dos principais atrativos da CPFL é a capacidade de geração de dividendos. O relatório projeta dividend yield entre 8,5% e 11% ao ano no período de 2026 a 2030, o que contribui para sustentar a tese de investimento mesmo diante de uma avaliação considerada mais elevada em relação às empresas pares.
Para o Bradesco BBI, a combinação de dividendos elevados e previsíveis mantém a CPFL como uma alternativa defensiva dentro do setor elétrico, especialmente para investidores que buscam geração recorrente de renda.
Novo Fator X favorece distribuição
O banco atualizou suas estimativas para a CPFL após incorporar os resultados mais recentes, mudanças na regulação do Fator X (Pd) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e novas premissas para os negócios de geração.
A avaliação é de que a nova mecânica do Fator X tende a beneficiar amplamente o negócio de distribuição da companhia. O crescimento do Ebitda, porém, deve ficar mais concentrado em 2027 e 2028, impulsionado principalmente pelas revisões tarifárias da Paulista, Piratininga e RGE.
Ao mesmo tempo, o Bradesco BBI avalia que a alavancagem da CPFL deve permanecer sob controle, reduzindo as preocupações relacionadas à estrutura de capital da companhia.
Valuation limita potencial das ações
Mesmo com perspectivas positivas para os dividendos e para o crescimento operacional, o Bradesco BBI vê uma limitação no valuation atual da CPFL. As ações são negociadas com prêmio em relação aos pares do setor, o que levou o banco a manter uma postura neutra.
A leitura do relatório é, portanto, de equilíbrio entre dois fatores: de um lado, a companhia apresenta geração de caixa, dividendos elevados e perspectivas de crescimento nos próximos anos; de outro, parte desses atributos já estaria refletida nos preços atuais.
Com isso, além do potencial envolvimento em uma eventual aquisição da Enel São Paulo pela State Grid, os investidores devem acompanhar as revisões tarifárias, a evolução do Ebitda e a política de dividendos como fatores relevantes para a trajetória da CPFL nos próximos anos.
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