A Localiza (RENT3) está bem posicionada para continuar sua recuperação operacional após enfrentar um dos períodos mais desafiadores de sua história recente, segundo avaliação do BTG Pactual. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (15), o banco reiterou a recomendação de compra para as ações da companhia de aluguel de carros e gestão de frotas, destacando a disciplina financeira, a capacidade de adaptação e a força da cultura corporativa como pilares da retomada.
O BTG manteve o preço-alvo de R$ 63 para os papéis, ante a cotação de R$ 51,39 considerada no relatório, o que representa um potencial de valorização de 22,6%. Somado ao dividend yield projetado de 1%, o retorno total estimado pelo banco chega a 23,6% em 12 meses.
A análise foi baseada, entre outros fatores, em declarações do CEO da Localiza, Bruno Lasansky, em participação em um podcast. A conversa abordou os desafios enfrentados pela empresa em 2023 e 2024 e as decisões tomadas para recuperar a rentabilidade.
Para o BTG, a experiência reforça a visão de que a Localiza é uma das empresas mais bem administradas entre as companhias cobertas pelo banco. Os analistas também ressaltaram que as ações negociam a cerca de 11 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média histórica da companhia.
Juros altos e depreciação formaram uma “tempestade perfeita”
Segundo Lasansky, o período de 2023 a 2024 reuniu três fatores que pressionaram os resultados da Localiza: a alta dos juros, o aumento da depreciação dos veículos e os desafios de integração da fusão com a Unidas.
Em um negócio intensivo em capital, a elevação das taxas de juros de 2% para 15% teve impacto significativo sobre os custos financeiros. Ao mesmo tempo, a valorização dos carros novos ampliou a diferença de preços em relação aos usados, enquanto incentivos fiscais do governo para veículos novos contribuíram para pressionar os preços de revenda dos seminovos.
De acordo com o executivo, a combinação desses fatores fez o custo anual por veículo saltar de aproximadamente R$ 5 mil para R$ 20 mil em um curto intervalo. A pressão reduziu a rentabilidade e afetou o desempenho das ações, em um momento em que investidores estrangeiros também diminuíam sua exposição ao mercado brasileiro.
Baixa contábil de quase R$ 2 bilhões marcou mudança de estratégia
Um dos principais pontos destacados pelo BTG foi a decisão da administração de reconhecer, em 2024, uma baixa contábil próxima de R$ 2 bilhões, dos quais cerca de R$ 1,7 bilhão foram registrados no segundo trimestre daquele ano, diante da perspectiva de que a depreciação dos veículos permaneceria elevada por mais tempo.
Na avaliação de Lasansky, reconhecer a dimensão do problema foi essencial para evitar frustrações recorrentes com os resultados e permitir que a empresa ajustasse sua estratégia à nova realidade de custos.
O banco avalia que a postura demonstra uma orientação de longo prazo, com prioridade para a sustentabilidade do negócio em vez de medidas destinadas apenas a preservar resultados de curto prazo.
Margem da locação de carros avançou com reajustes e eficiência
O plano de recuperação da Localiza foi sustentado por três frentes principais: reajustes de tarifas para refletir o novo ambiente de custos, redução de despesas controláveis e maior disciplina na alocação de capital.
Segundo o executivo, a margem EBITDA da divisão de aluguel de carros avançou de aproximadamente 45% para cerca de 67% no segundo trimestre, refletindo os ajustes realizados pela companhia.
A empresa também decidiu deixar segmentos considerados complexos e com retornos pouco atrativos, mesmo reconhecendo que a medida poderia limitar o crescimento. Em paralelo, manteve investimentos em inovação e no relacionamento com os clientes.
Para o BTG, a combinação entre eficiência operacional e decisões mais rigorosas sobre investimentos ajuda a explicar a recuperação da companhia e sustenta uma perspectiva mais favorável para os resultados futuros.
Leia também:






