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Banco Mercantil pode ter alta de 36% na bolsa com aceleração do crédito

Banco Mercantil pode ter alta de 36% na bolsa com aceleração do crédito

BBI inicia cobertura de BMEB4 com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 105; lucro líquido deve crescer 30% no próximo ano

O Banco Mercantil (BMEB4) tem potencial de valorização de aproximadamente 36% na bolsa até o fim de 2027, com a retomada do crescimento do crédito e a expansão das receitas de serviços, segundo avaliação do Bradesco BBI. O BBI iniciou a cobertura das ações da instituição financeira com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 105 por papel, apostando na aceleração dos resultados a partir do quarto trimestre de 2026.

De acordo com o relatório, a perspectiva favorável está apoiada principalmente na expectativa de crescimento mais forte do crédito consignado para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além da expansão de produtos como crédito pessoal, seguros e serviços de assistência. Para os analistas, a redução de entraves regulatórios deve favorecer a retomada das originações e abrir espaço para uma nova etapa de crescimento da instituição.

O Bradesco BBI projeta que a carteira de crédito do Banco Mercantil cresça 15% em 2026 e 19% em 2027. No acumulado entre 2025 e 2027, a expansão média anual deve ficar próxima de 17%.

Consignado do INSS deve acelerar e impulsionar resultados

O principal motor de crescimento do Banco Mercantil deve ser o crédito consignado destinado aos beneficiários do INSS. Segundo as estimativas do Bradesco BBI, a carteira dessa modalidade deve avançar 14% em 2026 e acelerar para 24% em 2027.

A expectativa considera a redução dos obstáculos que limitaram as concessões ao longo de 2026. Entre os fatores destacados está o fim da validade da Medida Provisória 1.355/2026, em 31 de agosto, que havia reduzido temporariamente a margem consignável total de 45% para 40%.

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Com o fim da medida, o limite voltou a 45% do benefício, distribuído entre 35% para empréstimos consignados, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão consignado de benefício.

O banco também espera que a adaptação ao processo de desbloqueio por biometria e a redução dos entraves relacionados à portabilidade contribuam para a retomada das originações a partir do quarto trimestre de 2026.

Base de clientes e crédito pessoal sustentam a estratégia

Um dos diferenciais competitivos do Banco Mercantil é sua presença no segmento de clientes com mais de 50 anos e beneficiários da Previdência Social. A instituição possui mais de 10 milhões de clientes e participa dos leilões de pagamento de benefícios do INSS desde 2009, o que lhe proporciona acesso à base de aproximadamente 42 milhões de beneficiários.

Na avaliação do Bradesco BBI, esse relacionamento favorece a oferta de produtos financeiros para clientes que já recebem seus benefícios pela instituição.

Entre as oportunidades está a expansão do crédito pessoal voltado aos beneficiários do INSS. Segundo o banco, o produto combina taxas competitivas com uma distribuição direcionada à base de clientes, o que pode contribuir para retornos superiores, diante de uma tendência de menor inadimplência nesse público.

A diversificação das receitas também é considerada relevante. A venda cruzada de seguros e serviços de assistência da plataforma Meu+ vem impulsionando as receitas de tarifas. No segundo trimestre de 2026, esses produtos representaram aproximadamente 90% do total das receitas dessa linha, segundo o relatório.

Ações negociam a 6,6 vezes o lucro projetado

Além da expectativa de crescimento dos resultados, a avaliação das ações é outro elemento que sustenta a recomendação de compra. O Banco Mercantil negocia atualmente a 6,6 vezes o lucro estimado para 2027, enquanto o preço-alvo de R$ 105 do Bradesco BBI implica múltiplo de 9 vezes o lucro projetado.

O desconto, na visão dos analistas, abre espaço para uma reavaliação dos papéis caso a aceleração do crédito e o crescimento do lucro se concretizem.

No segundo trimestre de 2026, o Banco Mercantil registrou lucro líquido de R$ 275 milhões, retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 41,4% e carteira de crédito de aproximadamente R$ 25 bilhões.

Com a retomada esperada das concessões, a expansão de produtos para sua base de clientes e os ganhos de eficiência, o Bradesco BBI vê 2027 como um ano de aceleração dos resultados. A concretização desse cenário, porém, dependerá da recuperação das originações, da manutenção da qualidade da carteira e da capacidade de transformar o crescimento do crédito em maior rentabilidade.