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BTG prevê segundo trimestre desafiador para Stone e PagBank com pressão sobre receitas

BTG prevê segundo trimestre desafiador para Stone e PagBank com pressão sobre receitas

Relatório do BTG Pactual aponta que o avanço do volume transacionado não deve ser suficiente para impulsionar receitas e lucros de Stone e PagBank no segundo trimestre de 2026

O BTG Pactual projeta um segundo trimestre de 2026 marcado por desafios para Stone (NASDAQ: STNE; STOC31) e PagBank (PAGS; PAGS34), mesmo com a expectativa de crescimento do volume financeiro transacionado (TPV).

Segundo a análise, a maior participação do Pix nas operações e a mudança no perfil dos comerciantes atendidos devem pressionar as taxas de captura (take rates), limitando a conversão desse aumento de volume em receitas e lucros. O cenário reforça a cautela do banco em relação ao desempenho operacional das duas companhias no curto prazo.

Apesar da expectativa de expansão das transações, o BTG acredita que a qualidade desse crescimento será inferior à observada em períodos anteriores. Isso ocorre porque parte relevante dos novos volumes deverá vir de operações com menor rentabilidade, reduzindo a capacidade das empresas de ampliar margens e acelerar seus resultados financeiros.

Stone deve sentir impacto do avanço do Pix nas margens

Para a Stone, o BTG estima lucro líquido próximo de R$ 580 milhões no segundo trimestre, resultado que representa alta de 6% em relação ao trimestre anterior, mas queda de 3% na comparação anual. A projeção também fica cerca de 5% abaixo tanto das estimativas do próprio banco quanto do consenso do mercado.

Embora o TPV da companhia deva apresentar aceleração em relação ao primeiro trimestre, os analistas destacam que o crescimento continuará sendo pressionado pela redução das transações com cartões e pela maior participação do Pix no mix de pagamentos. Como essa modalidade possui menor rentabilidade para as adquirentes, a expectativa é de continuidade da pressão sobre os take rates e, consequentemente, sobre as receitas.

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Outro ponto de atenção é a carteira de crédito. O BTG reconhece que essa frente continua sendo o principal vetor de crescimento no médio prazo, impulsionada principalmente pelos financiamentos com garantia do BNDES. Ainda assim, a instituição acredita que a inadimplência permanecerá elevada no trimestre, com aumento dos empréstimos vencidos há mais de 90 dias e maior necessidade de provisões para perdas.

PagBank deve registrar recuperação moderada, mas crescimento segue limitado

No caso do PagBank, a expectativa é de lucro líquido em torno de R$ 550 milhões, avanço de apenas 1% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 3% frente ao mesmo período do ano passado. Assim como ocorre com a Stone, o resultado projetado também está aproximadamente 5% abaixo das estimativas do mercado.

O BTG prevê uma recuperação modesta do TPV, favorecida pelo aumento das transações relacionadas à Copa do Mundo e ao segmento de apostas esportivas. Entretanto, o banco destaca que parte desse crescimento será concentrada em comerciantes com menor rentabilidade, especialmente restaurantes, reduzindo o potencial de monetização dessas operações.

Como consequência, a receita da companhia deve crescer apenas cerca de 1,5% na comparação anual, enquanto o lucro bruto deve avançar aproximadamente 2%, abaixo da faixa de crescimento entre 6% e 9% projetada anteriormente pela administração da empresa. Na avaliação dos analistas, o PagBank deverá entregar resultados próximos ao limite inferior desse guidance ao longo de 2026.

Crédito continua sendo oportunidade, mas cenário operacional exige cautela

Embora enxergue desafios para ambas as empresas no curto prazo, o BTG mantém recomendação de compra para a Stone e classificação neutra para o PagBank. A avaliação é de que as ações negociam a múltiplos considerados atrativos, mas o ambiente operacional ainda dificulta uma reprecificação mais consistente dos papéis.

O banco destaca que tanto Stone quanto PagBank seguem investindo na expansão das operações de crédito, segmento visto como o principal motor de crescimento para os próximos anos. No entanto, a desaceleração econômica, a pressão sobre margens e o aumento do custo do risco continuam limitando uma recuperação mais rápida dos resultados.

Na visão dos analistas, o principal desafio permanece sendo transformar o crescimento do volume financeiro transacionado em ganhos efetivos de receita e rentabilidade. Enquanto a maior participação do Pix continuar reduzindo as margens e o ambiente competitivo permanecer pressionado, a expectativa é de que Stone e PagBank enfrentem um período de evolução gradual, sem catalisadores relevantes capazes de impulsionar significativamente seus resultados no curto prazo.