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Petrobras avança na Margem Equatorial, mas volumes ainda são incógnita

Petrobras avança na Margem Equatorial, mas volumes ainda são incógnita

Para a Ativa, a descoberta reforça a tese de que a região pode se tornar uma nova fronteira petrolífera

A Petrobras (PETR4) deu mais um passo na exploração da Margem Equatorial, mas ainda está longe de transformar a nova descoberta em produção. Essa é a avaliação da Ativa Investimentos após a companhia identificar um segundo intervalo portador de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá.

Para a Ativa, a descoberta reforça a tese de que a região pode se tornar uma nova fronteira petrolífera para a Petrobras e ajudar na reposição de reservas ao longo dos próximos anos. Ao mesmo tempo, a casa de análise afirma que ainda não há informações suficientes para incluir os potenciais volumes da Margem Equatorial nas estimativas de valor da companhia.

A Petrobras comunicou a nova ocorrência no poço 1-BRSA-1405-APS, localizado no bloco FZA-M-59, de 100% da companhia. O poço está em lâmina d’água de 2.886 metros e a cerca de 175 quilômetros da costa do Oiapoque.

A descoberta ocorreu durante o aprofundamento da perfuração, realizado para investigar intervalos exploratórios mais profundos. É a segunda ocorrência de petróleo identificada no mesmo poço. A primeira havia sido anunciada pela Petrobras em agosto.

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Aumento de interesse pela região

Na avaliação da Ativa, a presença de petróleo em dois intervalos do Morpho pode indicar a existência de reservatórios empilhados. A interpretação é relevante porque pode apontar para um sistema petrolífero com condições favoráveis de geração, migração e acumulação de hidrocarbonetos.

A primeira descoberta já teve a qualidade do óleo confirmada por análises laboratoriais. No novo intervalo, a identificação ocorreu por meio de perfis elétricos, indícios observados nas rochas e amostras de fluidos.

A Foz do Amazonas é considerada pela Ativa uma das principais fronteiras exploratórias da Petrobras e está inserida em uma tendência geológica que também abrange áreas produtoras de petróleo da Guiana e do Suriname.

Descoberta ainda não entra nas projeções da Ativa

Apesar do resultado considerado positivo para a estratégia de longo prazo, a Ativa mantém cautela. A Petrobras ainda não divulgou informações fundamentais para determinar o tamanho da descoberta, como volumes recuperáveis, espessura dos reservatórios e vazão.

Por isso, a análise não incorpora neste momento recursos da Margem Equatorial ao valuation da Petrobras. O potencial da região é tratado como uma opcionalidade que poderá ganhar valor conforme os trabalhos de exploração avancem.

A identificação de petróleo também não significa que uma nova reserva já tenha sido estabelecida. Antes de uma eventual produção, a Petrobras ainda precisará concluir o poço e avançar no Plano de Avaliação de Descoberta (PAD) junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Depois, serão necessários poços de delimitação e, eventualmente, testes de formação. Somente após essa etapa poderão ocorrer a Declaração de Comercialidade, o Plano de Desenvolvimento e a decisão final de investimento.

Licenciamento e custos são obstáculos

Outro ponto de atenção é o licenciamento ambiental. A região da Margem Equatorial é ambientalmente sensível e o processo de exploração já foi marcado por divergências entre a Petrobras e o Ibama.

Segundo a Ativa, cada nova fase — da delimitação aos testes e ao eventual desenvolvimento — dependerá de novas autorizações ambientais, mantendo o risco de atrasos e judicialização.

A economia do projeto também ainda precisa ser comprovada. A profundidade de quase 2,9 quilômetros, a distância da costa e a ausência de infraestrutura na região podem pressionar os investimentos necessários para desenvolver uma eventual descoberta comercial.

Para a Ativa, portanto, o resultado do Morpho melhora a perspectiva de longo prazo da Petrobras, mas não altera as estimativas no curto prazo.

Os próximos pontos de atenção serão a divulgação de detalhes técnicos pela Petrobras, a conclusão da perfuração do Morpho, os resultados laboratoriais do novo intervalo, a apresentação do PAD à ANP, o início da campanha de delimitação e uma eventual divulgação de estimativas de volumes recuperáveis.

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