A Petrobras (PETR4) pode voltar a distribuir dividendos extraordinários caso o preço do petróleo Brent permaneça acima de US$ 90 por barril nos próximos meses, segundo análise do BTG Pactual (BPAC11). O banco considera muito elevada a probabilidade de a estatal acumular excesso de caixa nesse cenário, depois de reduzir sua dívida em direção à meta estabelecida pela companhia. O banco de investimentos definiu preço-alvo de US$ 26 para os ADRs da petroleira, negociadas em Nova York, com recomendação de compra.
A Petrobras vem retendo recursos para levar a dívida bruta para cerca de US$ 65 bilhões, ante US$ 71 bilhões no segundo trimestre de 2026. O teto estabelecido pela empresa é de US$ 75 bilhões. Com o petróleo em patamar elevado, porém, a geração de caixa pode superar as necessidades de desalavancagem, abrindo espaço para que o excedente seja devolvido aos acionistas.
A perspectiva ganha força diante do desempenho operacional da companhia. O BTG estima produção de aproximadamente 2,9 milhões a 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, acima da projeção de cerca de 2,5 milhões de barris por dia prevista no guidance de 2026.
Ações ainda têm espaço para subir
Mesmo após a forte reação dos papéis ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, o BTG avalia que as ações da Petrobras ainda podem subir 20% a 25% antes que o valuation passe a representar uma preocupação mais relevante para os investidores.
O ADR da companhia chegou a registrar alta de aproximadamente 5% no pré-mercado em Nova York após os resultados eleitorais.
A avaliação considera que as grandes petroleiras globais estão atualmente negociadas a um shareholder yield — combinação de dividendos e recompras de ações — de aproximadamente 8% nos próximos 12 meses.
Mesmo com uma valorização de 25% e considerando o Brent a US$ 80 por barril, o BTG estima um dividend yield de 9,5% para os próximos 12 meses e um FCFE yield de 14%. Para 2027, os indicadores seriam de 9,2% e 13,4%, respectivamente.
Catalisadores no radar
O banco aponta ainda três possíveis catalisadores para as ações no período pós-eleitoral.
O primeiro é um aumento dos preços dos combustíveis, que poderia ajudar a recuperar a confiança dos investidores na política de preços da Petrobras.
O segundo é a possibilidade de resultados fortes no terceiro trimestre de 2026, acompanhados de uma elevação das projeções da companhia para o ano.
O terceiro é a divulgação de um possível plano estratégico de cinco anos positivo, prevista para 23 de novembro.
Desinvestimentos podem voltar
Uma eventual mudança de governo, na visão do BTG, não necessariamente provocaria grandes alterações imediatas na Petrobras. Mudanças na estratégia poderiam levar tempo para aparecer nos resultados operacionais e financeiros.
O principal movimento que o banco espera de um eventual novo governo seria a retomada do programa de desinvestimentos da Petrobras.
A venda de ativos poderia gerar recursos para duas finalidades: financiar investimentos, inclusive na Margem Equatorial, ou permitir a distribuição de dividendos extraordinários.
Além disso, uma eventual redução do risco-país e do custo de capital próprio (Ke) poderia contribuir para uma reavaliação das ações da estatal.
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