O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve subir 0,72% em setembro, após a deflação de 0,32% em agosto, segundo projeção do Departamento de Pesquisa Econômica (DPEc) do Daycoval. O dado oficial será divulgado na sexta-feira (9).
Se a estimativa se confirmar, a inflação acumulada em 12 meses avançará de 4,22% para 4,47%. O resultado, arredondado para 4,5%, levará o IPCA ao limite superior do intervalo de tolerância da meta de inflação.
A principal influência virá da conta de energia elétrica residencial, que deve subir 8,20% no mês, após cair 7,63% em agosto. A alta da conta de energia é reflexo do encerramento dos descontos temporários concedidos por meio do bônus de Itaipu.
Com isso, o grupo Habitação deve passar de uma queda de 1,87% para uma alta de 2,41%. Já os preços administrados devem avançar 1,47%, também influenciados pela gasolina, cuja variação projetada passa de uma baixa de 0,59% para uma elevação de 0,30%.
“Os destaques são o fim dos descontos temporários na conta de energia elétrica proporcionados pelo bônus de Itaipu e a volta da pressão das passagens aéreas e dos alimentos. Com isso, a variação acumulada em 12 meses deve atingir o teto da meta, de 4,5%”, afirmam Rafael Cardoso, Julio Cesar Barros e Antonio Ricciardi, economistas do DPEc do Daycoval.
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Inflação de serviços ainda desafia o Banco Central
Além do choque da energia, o Daycoval espera uma piora na composição do índice. A inflação de serviços deve acelerar de 0,03% em agosto para 0,56% em setembro, elevando a taxa acumulada em 12 meses de 5,48% para 5,93%.
As passagens aéreas aparecem entre os principais vetores dessa mudança. Após recuarem 13,17% em agosto, os preços devem subir 9,82% em setembro. Os serviços intensivos em trabalho também permanecem elevados, com previsão de alta de 0,48% no mês e de 7,33% em 12 meses.
Os serviços subjacentes, que excluem itens mais voláteis, devem desacelerar de 0,40% para 0,27% na comparação mensal. Em 12 meses, contudo, a taxa deve subir de 4,98% para 5,22%, interrompendo o movimento anterior de arrefecimento.
“Os serviços subjacentes devem apresentar alta, mas em ritmo abaixo do observado na leitura anterior. Na variação interanual, o grupo deve inverter a trajetória de arrefecimento, o que constitui um desafio para o Banco Central”, avaliam os economistas.
A alimentação no domicílio também deve voltar ao terreno positivo, com alta estimada de 0,59%, após queda de 0,61% em agosto. O grupo Alimentação e bebidas deve avançar 0,57%.
Os bens industriais, por outro lado, continuam com comportamento mais favorável. O Daycoval projeta alta de 0,14%, com aumentos em móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário parcialmente compensados pelas quedas do etanol e dos automóveis.
Para o fim de 2026, o banco estima inflação de 5%, acima do limite superior da meta. A equipe também considera que a possibilidade de um El Niño intenso no segundo semestre exige cautela, especialmente pelos possíveis efeitos sobre os preços dos alimentos.
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