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Ambev deve ter ganho de margem no 3º tri com preço e mix, não com volume, diz BTG

Ambev deve ter ganho de margem no 3º tri com preço e mix, não com volume, diz BTG

BTG projeta Ebitda de R$ 7,5 bilhões e margem de 34,9% e reitera recomendação de compra antes do balanço

A Ambev (ABEV3) deve mostrar no terceiro trimestre do ano uma história mais de rentabilidade do que de crescimento de vendas em volume. A avaliação é do BTG Pactual (BPAC11), que, em relatório divulgado nesta quarta-feira (7), reiterou a recomendação de compra para as ações da companhia antes da divulgação do balanço, prevista para 29 de outubro, antes da abertura do mercado.

Para o banco, o ponto central do trimestre não será o volume, tema que costuma dominar as discussões sobre a Ambev por causa dos dados setoriais, mas a capacidade da cervejaria de melhorar preços e mix de produtos, combinada à queda de custos.

O BTG estima que a Ambev registre receita de R$ 21,6 bilhões, alta de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, e Ebitda de R$ 7,5 bilhões, avanço de 6%. A margem Ebitda seria de 34,9%, expansão de 70 pontos-base na comparação anual. O lucro por ação projetado é de R$ 0,26.

O volume consolidado, por sua vez, deve crescer apenas 0,7%, impulsionado por uma base de comparação fraca. Segundo o relatório, o resultado é “melhor, mas longe de ótimo”.

Cerveja no Brasil: preço pesa mais que volume

No segmento de cerveja no Brasil, o banco projeta alta de 3,3% no volume, para 22,3 milhões de hectolitros, abaixo dos cerca de 23,5 milhões de hectolitros registrados entre o terceiro trimestre de 2021 e o de 2024.

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Dados da Nielsen indicaram crescimento de sell-out na casa de um dígito médio em julho e agosto, ajudado por temperaturas mais altas. Em setembro, porém, o tempo mais frio e chuvoso no centro e no sul do país levou o BTG a reduzir a estimativa de crescimento do setor no trimestre para 1% a 2%. A expectativa para a Ambev considera ainda ganhos de participação de mercado.

É na receita por hectolitro que o banco espera a surpresa positiva: alta de 6,8% na comparação anual e de 2,6% sobre o trimestre anterior, reflexo do carregamento de mix melhor e de reajustes de preços. Com isso, as margens bruta e Ebitda da cerveja no Brasil devem avançar 130 e 110 pontos-base, respectivamente, com custos menores, conforme a orientação da empresa, parcialmente compensados por despesas de vendas, gerais e administrativas um pouco maiores.

O BTG projeta receita de R$ 10,7 bilhões (+10%) e Ebitda de R$ 3,9 bilhões (+14%) para a operação.

Por que o BTG está otimista com a Ambev

O banco elevou recentemente a recomendação da Ambev para compra. Na avaliação dos analistas, fatores específicos da companhia voltam a ser favoráveis pela primeira vez em mais de uma década. A Ambev estaria recuperando poder de precificação, apoiada em um portfólio que a concorrência não consegue igualar, enquanto a Heineken parece se aproximar dos limites de sua estratégia premium baseada em uma única marca.

Segundo o BTG, a Ambev retomou a liderança em preços em 2025 e no início de 2026 e pode seguir ganhando participação na receita. O efeito, afirmam os analistas, é a expansão do retorno sobre o capital investido (ROIC) e a geração de valor econômico (EVA), o que sustenta o desempenho das ações e múltiplos premium.

Em valuation, a Ambev negocia a 15 vezes o lucro projetado para 2026, desconto de cerca de 8% em relação à AB InBev, e a expectativa é de forte retorno de caixa aos acionistas neste e nos próximos anos.

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