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Petrobras produz acima da meta e BTG espera revisão da previsão

Petrobras produz acima da meta e BTG espera revisão da previsão

Média de 2026 chega a 2,69 milhões de barris por dia e passa do teto de 2,6 milhões

A Petrobras (PETR4) está tirando do subsolo mais petróleo do que prometeu ao mercado para 2026. Em agosto, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), foram 2,89 milhões de barris por dia, 120 mil a mais que em julho.

A estatal projetou para este ano uma produção média entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de barris diários. De janeiro a agosto, no entanto, a média já estava em 2,69 milhões, e os meses de melhor desempenho ficaram concentrados na segunda metade do período.

Para o BTG Pactual, a distância entre a meta e o que sai dos poços só aumenta. “Acreditamos que o guidance de 2,4 a 2,6 milhões de barris por dia para 2026 está se tornando cada vez mais conservador”, escreveram Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, analistas do banco.

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Novas plataformas fazem a diferença

O salto de agosto tem endereço. Búzios, o maior campo da estatal, acrescentou 50 mil barris diários e chegou a cerca de 1,05 milhão. A principal responsável foi a plataforma P-78, que começou a operar em janeiro e já produz 126 mil barris por dia.

Em Itapu, a P-71 passou de 105 mil para 151 mil barris diários em um mês. Marlim ganhou 40 mil barris com a normalização das unidades, entre elas o FPSO Anna Nery, que sozinho somou 28 mil barris.

Tupi também contribuiu, com alta de 14 mil barris, para 552 mil por dia. O destaque ali foi o FPSO Cidade de Mangaratiba, que subiu para 64 mil barris diários.

Nem tudo avançou, contudo. Jubarte perdeu 7 mil barris por dia, e campos menores recuaram 15 mil. Mero ficou estável, perto de 302 mil. A produção de gás natural subiu de 133 milhões para 136 milhões de metros cúbicos diários.

Somando petróleo e gás, a estatal produziu 3,75 milhões de barris de óleo equivalente por dia em agosto, o maior volume da série mensal apresentada pelo BTG, que começa em agosto de 2025.

Setembro pode reforçar a tese

Para o mês seguinte, a expectativa do banco é de nova alta em Búzios, com a continuidade da entrada em operação da P-78 e da P-79. Tupi, entretanto, deve pesar, por causa de uma produção menor nos FPSOs Cidade de Itaguaí e Cidade de Saquarema.

Mesmo com esse contrapeso, a conta dos analistas é simples. “Se setembro continuar mostrando melhora em relação a agosto, ou mesmo estabilidade, acreditamos que superar o topo do guidance de 2026 se torna ainda mais factível”, apontaram Almeida e Cunha.

Mais barril, mais dividendo

Produção maior, para o BTG, tem tradução direta no bolso do acionista. O banco estima que a Petrobras gere um fluxo de caixa livre para o acionista equivalente a 14% do seu valor de mercado em 2027, com retorno em dividendos próximo de 11%.

As contas partem de premissas específicas: Brent a US$ 70 por barril e diferencial médio de cerca de US$ 35 por barril entre o preço do petróleo e o da gasolina e do diesel.

“Mantemos a Petrobras como nossa top pick em petróleo e gás no Brasil”, afirmaram os analistas, que reiteraram a recomendação de compra com preço-alvo de US$ 22 para o ADR. Na data do relatório, o papel valia US$ 18,54, o que indicava potencial de valorização de 18,7%.

Para 2026, o banco projeta receita de US$ 112,5 bilhões, Ebitda de US$ 61,1 bilhões e lucro líquido de US$ 27,9 bilhões, acima dos US$ 19,6 bilhões de 2025.

Os analistas também listam o que pode desmontar a tese: atrasos na execução de novos projetos, a capacidade da estatal de manter independência política na definição de preços dos combustíveis e a variação do câmbio. Portanto, o ritmo dos poços é só uma parte da conta.