O BRB (BLIS3) divulgou nesta segunda-feira (18) um comunicado ao mercado em resposta ao questionamento formal da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da B3 sobre reportagem publicada pelo Correio Braziliense no último dia 15, que informava que a gestora Quadra Capital teria realizado um pagamento de R$ 1 bilhão ao banco naquela data – descrito pela publicação como a primeira parcela de um total de R$ 4 bilhões referente à negociação de ativos do Banco Master.
As ações ordinárias do banco acumulam queda de quase 50% em 2026.
CVM aponta contradição
A CVM enviou ao BRB um ofício exigindo que o banco esclarecesse se a notícia era verídica e, em caso positivo, explicasse por que o recebimento não foi classificado como fato relevante.
O regulador também apontou uma aparente contradição: o Fato Relevante divulgado em 20 de abril de 2026 descrevia uma “parcela financeira à vista, de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões”, sem menção a parcelamento.
A reportagem, porém, indicava que os R$ 4 bilhões seriam recebidos em parcelas, com R$ 1 bilhão como primeira entrada – informação atribuída a uma fonte do alto escalão do banco. A CVM alertou que o não cumprimento da exigência poderia implicar multa de R$ 1.000 por dia e outras sanções administrativas.
BRB diz que operação segue estrutura já divulgada
Na resposta, assinada pelo Diretor Executivo de Finanças e Controladoria Antônio José Barreto de Araújo Júnior e pelo Gerente de Relações com Investidores Iure Cavalcante Oliveira, o BRB sustentou que eventuais recebimentos financeiros associados à parcela à vista decorrem da implementação da estrutura previamente divulgada, podendo ocorrer em diferentes momentos no curso da execução da operação, sem alteração de natureza, valor de referência ou condições econômicas.
O banco argumentou ainda que as informações da reportagem “refletem interpretações de terceiros quanto ao momento e à forma de realização de fluxos financeiros” e que não houve, até o momento, modificação material que configure divergência em relação ao Fato Relevante de abril.
Diante disso, o BRB concluiu que o episódio não caracteriza fato relevante adicional nos termos da Resolução CVM nº 44/2021, por não representar “ato ou fato novo, concreto e definitivamente constituído capaz de influenciar, de modo relevante e imediato, a decisão de investimento dos acionistas.”
A operação total tem valor de referência de R$ 15 bilhões, sendo R$ 1,9 bilhão já negociados antecipadamente com bancos privados, segundo a reportagem que originou o questionamento regulatório.






