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Braskem inicia mediação com credores e ações despencam mais de 10%

Braskem inicia mediação com credores e ações despencam mais de 10%

Empresa protocola pedido de Tutela de Urgência Cautelar e inicia mediação com credores financeiros em busca de solução consensual

As ações da Braskem (BRKM5) caem mais de 10%, a R$ 6,79, nesta quinta-feira (25), após a petroquímica anunciar que iniciou processo de mediação perante a Câmara Wind de Mediação e protocolou pedido de Tutela de Urgência Cautelar perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. As medidas envolvem exclusivamente os credores financeiros da companhia.

Em fato relevante, a Braskem afirmou que as iniciativas “foram ajuizadas com o objetivo de preservar um ambiente estável para a continuidade das negociações em andamento exclusivamente com os referidos credores em busca de uma solução consensual, estruturante e ordenada para sua estrutura de capital, alinhada com a posição de liquidez da companhia e as condições da indústria petroquímica global.”

O conselho de administração também aprovou, caso necessário, a adoção de eventuais medidas protetivas no exterior.

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Escopo limitado ao financeiro

A companhia foi enfática ao esclarecer que as medidas têm escopo estritamente financeiro. “A Mediação e o PTU possuem escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos”, afirmou a Braskem.

Entretanto, o movimento expõe a gravidade da situação de liquidez da empresa. Ao final do primeiro trimestre de 2026, a Braskem reportava aproximadamente US$ 1,06 bilhão em caixa frente a US$ 1,46 bilhão em vencimentos ao longo de 2026, em ambiente de margens comprimidas e geração de caixa negativa. A dívida bruta corporativa totalizava US$ 9,4 bilhões, com dívida líquida ajustada de US$ 8,5 bilhões.

IG4 assumiu controle, mas pressão persiste

No início do mês, a gestora de private equity IG4, por meio do fundo Shine, tornou-se co-controladora da Braskem com 50,1% das ações com direito a voto — fatia que antes pertencia à Novonor (ex-Odebrecht). A Petrobras mantém a outra participação de controle, com 47%. Contudo, a mudança de controle não foi suficiente para resolver o impasse com os credores.

Segundo a XP Investimentos, o movimento formaliza um cenário já antecipado desde abril, quando a companhia indicou à CVM estar avaliando alternativas para sua estrutura de capital. Entre as alternativas em análise, reportagens recentes mencionam o eventual diferimento de cupons de bonds com vencimento a partir de julho — cerca de US$ 154 milhões.

A assembleia de acionistas realizada no início do mês já havia aprovado mudança no estatuto permitindo ao conselho decidir sobre requerimento de recuperação extrajudicial, confissão de falência ou pedido de recuperação judicial em caso de urgência.