A Ativa Investimentos avalia que o principal destaque do relatório de produção e vendas da Vale (VALE3) no segundo trimestre foi a divisão de cobre, impulsionada pela combinação de preços recordes e volumes acima do esperado, cenário que deve sustentar um desempenho forte da unidade de metais básicos nos resultados financeiros da companhia.
Segundo a corretora, o preço realizado do cobre atingiu US$ 14.062 por tonelada, um avanço de US$ 919 em relação ao primeiro trimestre e de 56,5% na comparação anual. Os embarques também superaram as projeções da casa, beneficiados pela aceleração da produção na mina de Sossego antes da parada programada de 110 dias do moinho SAG, prevista para agosto.
O desempenho do níquel também foi melhor do que o esperado. A produção foi impulsionada pelas operações de Voisey’s Bay e Onça Puma, enquanto o preço realizado alcançou US$ 18.061 por tonelada, alta de US$ 1.046 frente ao trimestre anterior.
Preços de cobre e níquel não refletem ajuste
A Ativa ressalta, porém, que os preços realizados de cobre e níquel não refletem um ajuste provisório negativo de US$ 88 milhões, provocado principalmente pela queda do preço do ouro. Embora esse efeito não altere os preços por tonelada divulgados pela companhia, deverá reduzir a receita reportada da divisão de metais básicos no segundo trimestre.
No negócio de minério de ferro, a corretora classificou o trimestre como operacionalmente sólido. As vendas ficaram ligeiramente acima das estimativas, impulsionadas pelo consumo de estoques, enquanto a produção veio um pouco abaixo do esperado devido à menor disponibilidade de lavra em Serra Norte.
O preço realizado do minério fino ficou em US$ 95 por tonelada, praticamente em linha com a projeção da Ativa, de US$ 95,8 por tonelada. Apesar da redução do prêmio de qualidade em relação ao primeiro trimestre, a demanda aquecida por produtos com baixo teor de alumina ajudou a sustentar os preços.
Já a operação de pelotas apresentou o desempenho mais fraco do trimestre. A produção somou 7,3 milhões de toneladas, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano passado e de 10,6% na comparação trimestral, impactada pela paralisação temporária das plantas em Omã em razão do conflito no Oriente Médio.
Mesmo com a produção menor, as vendas de pelotas alcançaram 7,7 milhões de toneladas, superando o volume produzido graças ao consumo de estoques. O preço realizado subiu para US$ 137 por tonelada, beneficiado pelo aumento dos prêmios trimestrais e pela melhora das referências do mercado de minério de ferro.
Na visão da Ativa, o conjunto dos números reforça um trimestre consistente para a Vale, com o negócio de metais básicos assumindo protagonismo e compensando parcialmente os desafios enfrentados em parte das operações de minério de ferro e pelotas.






